Wanda Palhano - Editorial: O Estado - Um jovem de 73 anos



Até parece que foi ontem...Nascido naquele distante 24 de setembro de 1936, o Jornal O Estado está completando, hoje, 73 anos de fundação, com a aparência e o vigor de um jovem que, por meio de um trabalho sério e eficiente, ignora a palavra DERROTA para superar os desafios. O espírito de superação tem acompanhado a trajetória do jornal ao longo dessas mais de sete décadas, na defesa da livre expressão e no combate às desigualdades. Foi assim em um primeiro momento, sob o comando de José Martins Rodrigues, sequênciado com Venelouis Xavier Pereira (1964-1996) e, mais recentemente, com seus sucessores :

Wanda Palhano,


 Ricardo Augusto Palhano Xavier e Soraya Palhano, 


Solange Palhano


, Adlay Stevenson de Palhano Xavier, e  Rebeca Ferrer Xavier.


A trincheira de lutas chamada Jornal O Estado chega aos seus 73 anos, respaldado pela credibilidade conquistada junto à sociedade cearense por exercer um jornalismo com independência e expressando a verdade, doa a quem doer.

No último biênio, por exemplo, O Estado deu outro exemplo de uma saga vitoriosa pela força do trabalho. Enquanto o mundo sofria as consequências de uma crise econômica sem precedentes na história, o jornal explorou a criatividade e ousadia do seu corpo funcional para crescer.

 Neste período, enquanto as empresas reduzia postos de trabalho, reduzia despesas e paravam de investir, por conta das incertezas nos cenários interno e externo, o jornal contratava mais profissionais, ampliava o seu leque de produtos, com o lançamento de novos cadernos e adquiria modernos equipamentos para ampliar seu parque gráfico e tecnológico. 
Graças a essa nova mentalidade de gestão,

O Estado desconheceu a CRISE ECONÔMICA. Pelo contrário, conquistou mais espaço no mercado e chega ao seu aniversário de 73 anos dividindo com seus clientes, leitores, amigos e colaboradores, o brinde de mais uma etapa vencida e da certeza de que estamos no caminho certo!

Dulcina de Holanda Palhano - Fortaleza - CE

Presidente Dulcina Palhano 
inaugura Edifício Dom Hélder Câmara


A Desembargadora Dulcina de Holanda Palhano, Presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará presidiu, sexta-feira passada, às 19 horas, dia 27 de julho, a inauguração do Edifício Dom Hélder Câmara, Anexo do Fórum Autran Nunes, no Centro da cidade, onde funcionarão as 14 Varas da 1ª Instância da Justiça do Trabalho em Fortaleza. Na abertura do evento, foram hasteadas, ao som do Hino Nacional, executado pela Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Ceará, as Bandeiras do Brasil, do Ceará e do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, respectivamente, pelo deputado federal José Pimentel; pelo Desembargador Rômulo Moreira de Deus, Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, e pela Desembargadora Dulcina de Holanda Palhano, Presidente do TRT do CearáEm seguida, a Presidente Dulcina Palhano justificou a escolha do nome do novo prédio, afirmando “é uma homenagem a Dom Hélder Câmara, religioso nascido em Fortaleza, exemplo de ser humano dedicado aos pobres e à justiça, um líder internacional indicado ao Prêmio Nobel da Paz, nada mais justo que o edifício tenha seu nome”. E mais: “ele foi Arcebispo de Recife por mais de 20 anos, período em que lutou contra a ditadura militar, integrando a Igreja na luta em defesa da cidadania”, salientou. Posteriormente, ela disse, “agora a Justiça do Trabalho cearense fica mais forte, funcional e moderna. Desejo aos magistrados e servidores a seriedade e vontade de trabalhar que o povo precisa. Espero que essa obra represente além de uma bela construção, uma nova era da Justiça do Trabalho cearense”, finalizou.Após o descerramento da placa inaugural do novo Edifício, coube a Presidente do TRT do Ceará, Dulcina Palhano; ao Desembargador José Antônio Parente da Silva, Vice-Presidente deste Regional e Diretor do Fórum Autran Nunes, ao Ministro César Asfor Rocha, Corregedor Nacional da Justiça e ao Superintendente Estadual do Banco do Brasil, Marcos Luiz Galles, realizar o desenlace oficial da fita inaugural alusiva ao acontecimento. Vale destacar as presenças dos Desembargadores desta Corte trabalhista: Laís Maria Rossas Freire, Antonio Carlos Chaves Antero, Antonio Marques Cavalcante Filho e Cláudio Soares Pires.Dentre os inúmeros convidados presentes à solenidade, o Ministro Valmir Campelo, do TCU; Fátima do Carmo, da Secretaria Geral da Presidência da República; Martônio Mont´Alverne, Procurador Geral do Município; Cláudio Alcântara Meireles, Procurador-Chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará; Antônio Teófilo Filho, Presidente da Amatra; Harley Ximenes, Presidente da Atrace, Cristiano Câmara, sobrinho do homenageado pelo nome do edifício, além de juízes, advogados, diretores e servidores deste Regional.

Mabio Palhano - Estado Novo e Willie Davids no primeiro tempo da aviação

A Revolução Constitucionalista começa em 9 de julho de 1932 e Getúlio Vargas percebe quão limitada se encontra a aviação de seu “governo provisório”, que os paulistas pretendem derrubar. “Os aviões do Exército, que deviam voar, não têm bombas!”, anotou no diário (12 e 13). “O Paraná insiste pedindo aviões, os daqui são escassos” (24 e 25) e uma encomenda a fabricante estrangeiro seria demorada. “Falta cobertura no exterior.” Vargas imaginava, porém, uma indústria aeronáutica brasileira, delineando uma política de integração pelo uso do avião, que chegou a Londrina em 1938.

São mencionados mais de 300 campos de pouso construídos no interior do país até aquele ano, estímulo à fundação de aeroclubes, que ajudariam a desenvolver a indústria aeronáutica, além de “formar pilotos comerciais e privados que, efetivamente, pudessem ser chamados para a guerra”, lê-se na história do Aeroclube de São Paulo.

Instaurado em 10 de novembro de 1937, o Estado Novo baniu o federalismo, queimando as bandeiras estaduais em atos públicos. Destituídos os prefeitos eleitos, o de Londrina, Willie Davids, também diretor-técnico da Companhia de Terras Norte do Paraná, se mantém no cargo, pela vontade do interventor Manoel Ribas, conciliando interesses do Estado da colonizadora.

De maio e setembro de 1938, Willie constrói o aeroporto, com a dotação de 20 contos de réis do Departamento de Aeronáutica Civil (DAC), da qual a Prefeitura destinou 15 contos ao pagamento de 24 alqueires paulistas (580.800m²), comprados de Mábio Palhano, a cinco quilômetros ao sul da cidade. Informação no Paraná-Norte de 25 de maio de 1938, creditando ao doutor Octávio Augusto de Faria Souto, chefe da 9.ª Região do DAC, “a maior parte do grande empreendimento, que será uma esplêndida realidade dentro de dois meses”. Já “a rapidez e a perfeição” se deviam à direção técnica do próprio prefeito, “profissional que honra a engenharia brasileira”.

Três pistas “com orientações diversas, de modo a ficarem na feição do vento, venha este de onde vier”. O aeroporto tem “conformação e elevação em forma de meia-laranja, (...) ao centro está o ponto mais alto, sendo o declive muito suave, sistema que facilita extraordinariamente o levantamento de voo de qualquer aparelho”. As pistas têm de diferentes comprimentos – 1000 metros, 750 metros e 650 metros por 100 de largura –, “duas que se cruzam em forma de tesoura meioaberta e a principal, que cruza o ponto de contato das primeiras”.

Transferida de 7 de setembro para 18, a inauguração é novamente adiada, a pedido do interventor Manoel Ribas, a fim de permitir a presença do colega paulista, Adhemar de Barros. Nova data: 25 de setembro. “Segundo ainda estamos informados, a inauguração será com seis aviões do Exército, quatro particulares, um do Aerolloyd Iguassu e dois da Vasp”, adiantou o Paraná-Norte. Mas, por causa das condições climáticas desfavoráveis, nenhum avião chegou, ficando incompleta a grande festa com a presença de “alguns milhares de pessoas”.

O fotógrafo José Juliani registrou em 27 de novembro de 1938 “um dos primeiros aviões a pousar”.

O Aeroclube surge um ano e três meses após, supostamente retardado pelos incidentes na administração do prefeito Willie Davids (ver a biografia), eventualmente substituído pelo chefe da Contabilidade, Adriano Marino Gomes, comandou a iniciativa. O próprio Willie, porém, consolidaria juridicamente o Aeroclube.

O Paraná-Norte de 28 de janeiro de 1940 anunciou que seria criada naquele dia, às 10 horas no campo de aviação, “a futura escola de pilotos-aviadores”, por iniciativa dos senhores Adriano Marino Gomes (prefeito-substituto), tenente Luiz José dos Santos (delegado de polícia), André Loyer e Oswaldo Marra (pilotos), engenheiro Ernesto Rosenberger e J. M. Ramos. Dito e feito. E até a mascote foi escolhida: Freya Schultheiss, a primeira menina de Londrina, que havia chegado com dois anos de idade, em 1931.

Mas, segundo uma crônica de Humberto Puiggari Coutinho, diretor do jornal, os pioneiros não conseguiram “de pronto 140 contos de réis para a compra de um aeroplano”, a Diretoria desanimou e somente reagiria um ano depois. “O Aeroclube de Londrina não morreu de fato, teve apenas um desmaio”, diagnosticou Coutinho. “A diretoria vai entrar em ação e o clube será uma realidade.”

Devia-se o entusiasmo ao recémcriado Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, sendo ministro o civil Joaquim Salgado Filho, “pronto a cumprir e a fazer cumprir os regulamentos respectivos, dentro dos quais se encontrará o que é legal e necessário para a aquisição de um avião”. E Salgado Filho anunciaria a Campanha Nacional da Aviação, apoiada pelos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, estimulando os grandes empresários a doar aviões a aeroclubes.

“Concluídos os trabalhos para que este Clube adquirisse a necessária personalidade jurídica, torna-se preciso que se proceda, com a maior brevidade possível, a eleição da diretoria em caráter definitivo”, conclama o edital de 18 de agosto de 1941, assinado pelo presidente provisório, o ex-prefeito Willie Davids, marcando a eleição para 1.º de setembro às 20 horas, na Casa Sete.

O médico Anísio Figueiredo foi o presidente eleito pela assembléia e tomou posse em 21 de setembro de 1941, para mandato até 1943. O primeiro avião doado ao Aeroclube ao chegar caiu na Fazenda Quati e ficou imprestável, embora o piloto tenha saído ileso. A Escola de Pilotagem Elementar foi autorizada em 13 de maio de 1942, supostamente já com outro avião.

Um prefeito competente e orgulhoso da cidade

Widson Schwartz

Willie Brabazon da Fonseca Davids foi “o construtor e o admirável organizador de Londrina” nos primórdios, cidade que era “a sua preocupação constante, a sua paixão e o seu orgulho”, atestou o graduado serventuário da Justiça Antônio de Paula Filho em artigo no Paraná-Norte (24.8.41). Engenheiro formado na Inglaterra, antes de assumir a administração do Patrimônio Londrina, em maio de 1932, Willie acionara bondes elétricos e instalara redes de iluminação pública, trabalhando para a Companhia City de Santos, em que seu pai fora engenheiro-chefe.

Além da Vila Inglesa, em Capivari (SP), e outros créditos da profissão, Willie acumulava a experiência de haver sido, no período 1915-1925, prefeito de Jacarezinho e deputado estadual, membro da Comissão de Obras Públicas e Colonização no legislativo. Entre 1920 e 1927 integrou as expedições às glebas que os ingleses iam comprar no Norte Novo e orientou a incorporação da Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, depois Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná.

Primeiro prefeito constitucional de Londrina, eleito em 12 de setembro de 1935, ele se torna indispensável até quando se instala o Estado Novo, que o mantém no cargo, nomeando-o. Mas é afastado em novembro de 1938. Motivo: uma denúncia “naturalizando-o” inglês. Willie nascera em Campinas (29.11.1883), filho do galês Richard Gore Brabazon Davids e de Angelina da Fonseca, paulista de Itu. O pai, sim, era o inglês que se encontrava “há mais tempo no Brasil”, desde 1876; o engenheiro eletricista que havia feito a iluminação de estações ferroviárias e cidades paulistas. Credita-se a ele, numa biografia, a construção do primeiro telefone no Brasil, em Campinas, onde foi o anfitrião de D. Pedro II em visita à Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Um prefeito competente e orgulhoso da cidade

Na Mansion House, 1939: sir Frank Bowater, prefeito de Londres, recebe Willie Davids, prefeito de Londrina que o visitou em nome da cidade norte-paranaense (Times of Brazil)

Reconduzido à Prefeitura em 6 de dezembro, Willie licencia-se pelo menos duas vezes em 1939, para cuidar da saúde e ir a Londres, encontrar-se com o prefeito, sir Frank Bowater. Em 30 de maio de 1940, deixa o cargo definitivamente, em meio a um rumoroso inquérito sobre furto de dinheiro na Prefeitura por um funcionário. Willie fora exonerado, apesar da inexistência de indícios contra si.

Grande festa em 21 de março de 1942 marca a despedida do casal Carlota-Willie, que vai morar em São Paulo. “A saúde do Dr. Willie exige a mudança de domicílio.”

Morreu em 10 de junho de 1944, aos 61 anos incompletos, na Fazenda União, em Jacarezinho.

MS-156 - Pedro Palhano ou Luiza Brunet

No afã de homenagear a madrinha da Copa 2014 em Campo Grande, os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul tentaram nomear a rodovia MS-156 com o nome da modelo Luiza Brunet, que esteve na Capital para apoiar a candidatura da cidade como subsede para os jogos de 2014.

No entanto, o projeto que propunha a homenagem foi retirado de pauta e não será mais votado. Acontece que duas leis - uma federal de 1977 e outra estadual de 2006 proíbem a denominação de imóveis e bens públicos com nome de pessoas ainda vivas. O deputado Paulo Corrêa, proponente do projeto reconheceu o erro e retirou a proposta.

Mas além disso, o projeto, caso fosse levado adiante, ainda esbarraria em outro erro, também reconhecido pelo parlamentar: a rodovia já possui nome. A MS-156, entre Dourados e Itaporã leva o nome do produtor de café sul-matogrossense, Pedro Palhano, que atuou na região e até participou da construção da primeira estrada ligando os dois municípios.

Reclamações

O servidor público Manoel Capilé Palhano, 58, filho de Pedro Palhano, reclama que o nome da modelo Luiza Brunet seja cogitado para batizar uma rodovia que já tem nome. Ele lembra das benfeitorias executadas por seu pai para o desenvolvimento de Dourados - como o plantio de café, erva-mate e também a construção de uma escola em um terreno particular, nas margens da rodovia MS-156.

A denominação da "Rodovia Pedro Palhano" foi instituída através da lei estadual n° 1.598, de 25 de julho de 1995, assinada pelo então governador Wilson Barbosa Martins.
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Texto de Lamartine Palhano Jr. - Obra: Dicionário de Filosofia Espírita.
Produzido por Sergio Carvalho
Musica - Musica da Cabala - 05 Atkinu Seudata

O que voce acha da Anistia, completa, incondicional e irrestrita??

O delegado Dirceu Gravina sentiu tremores e falta de ar quando indagado, na terça-feira 17, em frente à delegacia de polícia onde trabalha, em Presidente Prudente (SP), sobre suas atividades nos porões do DOI-Codi (Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna) de São Paulo, no início dos anos 70. Gravina, conhecido na época pelo codinome JC, quase perdeu a fala. Ele é citado por ex-presos políticos como um dos mais ferozes torturadores brasileiros no período da ditadura militar no País. Gravina nega. Mas tem motivos para se preocupar.

Passados mais de 30 anos, os generais brasileiros responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos inexplicáveis não foram levados aos tribunais. Mas os agentes envolvidos na repressão política no País ainda temem cobranças pelos crimes que praticaram. Familiares dos mortos e desaparecidos também insistem na aplicação de punições, a exemplo do que ocorreu em países como Argentina e Chile.

Duas famílias, a Silva Telles (com cinco de seus representantes) e a de Luiz Eduardo Merlino, movem processos na Justiça contra acusados de assassinatos e tortura. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) também encaminhou ação à Justiça Federal para responsabilizar civilmente torturadores e autoridades da época da ditadura militar no Brasil por crimes cometidos no DOI-Codi paulista, entre 1970 e 1976. A Procuradoria-Geral da República de São Paulo avalia que agentes públicos, “notadamente da União Federal”, praticaram abusos e atos criminosos contra opositores ao regime, “em violação ao princípio da segurança pessoal”.

Ilegalidades ocorridas naquela instituição militar, como as prisões ilegais, torturas, homicídios e desaparecimentos forçados, são consideradas pelo Ministério Público como crimes de “lesa-humanidade”. A ação lembra que o Comitê de Direitos Humanos da ONU recomendou ao governo brasileiro que torne públicos os documentos sobre violações aos direitos humanos no País e responsabilize os autores de todos esses crimes.

A ação tem alvos específicos: os então comandantes do DOI-Codi naquele período, o hoje coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que vive em Brasília, e o tenente-coronel Audir Santos Maciel, do Rio de Janeiro. Ustra já responde a processos de responsabilização das famílias Telles e Merlino. Caso o pedido do MPF seja aceito, ele e Maciel não poderão mais exercer cargos públicos.

São citados ainda dois superiores de Ustra e Maciel: o comandante do II Exército na época, general Ednardo D’Ávila Mello, e o subcomandante do órgão, capitão Dalmo Cirillo. Ambos estão mortos. Os ministros do Exército, generais Orlando Geisel (de 1969 a 1974), Vicente Dale Coutinho (1974) e Sylvio Frota (de 1974 a 1977), só não integram o processo porque também já faleceram. O mesmo ocorre com os ditadores de plantão Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, assim como o poderoso chefe do Centro de Informações do Exército (CIE) na época, general Milton Tavares de Souza, que depois virou comandante do II Exército. Todos já morreram. Em paz e impunes.

A política de repressão e perseguição ampla “mediante violência” partiu, naquele momento da história do País, da Presidência da República e do Ministério do Exército, avalia o procurador regional Marlon Alberto Weichert, autor da ação juntamente com a colega Eugênia Gonzaga Fávero. Assim, se os responsáveis pelas torturas não tiverem seus nomes execrados publicamente, por não estarem vivos, espera-se, pelo menos, que não continuem dando nomes a escolas, pontes e viadutos pelo País afora. Um dos mais sanguinários policiais do País, o delegado Sergio Paranhos Fleury, do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), por exemplo, é nome de rua hoje na cidade de São Carlos (SP). O general Milton Tavares também foi agraciado com um viaduto acima do rio Tietê, em São Paulo. Seu nome está lá estampado.

A ação de Weichert e Eugênia tem o objetivo de impedir que os abusos praticados no passado voltem a se repetir. Subscrita por outros quatro procuradores, ela foi encaminhada e aceita pela Justiça Federal no fim de maio. A Procuradoria pede a devolução para a União de todos os valores pagos em indenizações a 64 familiares de mortos e desaparecidos políticos. São presos mortos no DOI-Codi, reconhecidos oficialmente pelo governo brasileiro no documento Direito à Memória e à Verdade, produzido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. O total a ser devolvido aos cofres do governo, conforme a ação, ultrapassa 9 milhões de reais.

Seis mil presos políticos passaram pelo DOI-Codi de São Paulo, subordinado ao II Exército, então o maior e mais temido centro de tortura do País durante a ditadura. Esse cálculo não é de familiares de presos nem de revolucionários esquerdistas, mas de um militar da repressão, Freddie Perdigão Pereira (morto em 1997), um dos envolvidos no atentado do Riocentro, em 1981 no Rio de Janeiro.

O número oficial de mortos e desaparecidos políticos no Brasil é 376. Mas a Procuradoria da República estima que, em todo o País, mais de 30 mil pessoas tenham sido vítimas da repressão política, incluindo torturas, prisões e diversos tipos de perseguição. A ditadura argentina somou mais de 30 mil mortes. E puniu seus repressores. “O Brasil não teve uma comissão de verdade para identificar os torturadores e afastá-los do exercício de funções públicas. O Exército sonega informações à sociedade brasileira”, observa Weichert.

A corajosa decisão de Weichert e Eugênia deve motivar iniciativas semelhantes pelo País. Outros agentes da repressão devem ser citados em ações autônomas. Novos processos são analisados pelo Ministério Público Federal. O caso do delegado Gravina, por exemplo, pode gerar uma nova ação, se depender da ex-presa política Lenira Machado, de 67 anos, que o denunciou à CartaCapital. Hoje aposentada, Lenira estudava Sociologia na USP em maio de 1971 e militava no clandestino Partido Revolucionário dos Trabalhadores (cisão da Ação Popular), quando foi presa pela equipe do delegado Fleury.

Ela passou dois dias no Dops, no bairro da Luz, em São Paulo, e de lá foi levada para o prédio do DOI-Codi, na rua Tutóia. Ali, foi barbaramente torturada três vezes ao dia, durante um mês e meio. Entre outros, pelo então investigador Gravina, o JC. Pela primeira vez, Lenira fala publicamente sobre as torturas praticadas por Gravina. “Ele, o JC, era o braço executivo do Ustra”, testemunha. “Quando interrogava, gostava dos afogamentos e do fura-poço, um tipo de tortura em que a pessoa fica abaixada com o dedo no chão e andando em círculos. Ao ficar tonta, apanha. Ele perguntava e torturava diretamente.”

Depois de intermináveis sessões de pau-de-arara, espancamentos e cadeira do dragão (espécie de cadeira elétrica, na qual a vítima, durante o espasmo do choque, estica as pernas e bate numa barra de ferro), Lenira teve um deslocamento na coluna e ficou paralítica. Fez um longo tratamento de fisioterapia para voltar a andar. Condenada a cinco anos de prisão, mesmo doente, cumpriu um ano e oito meses, no Presídio Tiradentes, em São Paulo.

No DOI-Codi, as equipes de tortura se alternavam pela manhã, tarde e noite, relata a ex-presa política. “Todos recebiam orientações do Ustra e tinham reuniões diárias com ele para relatar o que extraíam da tortura”, atesta. “Eles usavam codinomes e morriam de medo que a gente soubesse quem eles eram.”

Mas JC era uma figura marcante. Muito jovem (tinha 21 anos naquela época), era bem diferente dos militares e demais policiais civis, diz Lenira. “Ele usava cavanhaque, cabelos compridos e lisos. Era meio hippie”, lembra. Por causa da cabeleira, surgiu o codinome JC, em alusão a Jesus Cristo. Até hoje, o delegado usa um rabo-de-cavalo.

Gravina foi identificado por Lenira quase por acaso. Um parente dela o viu numa reportagem de jornal sobre um suposto vampiro que agia na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes. O diligente delegado, que odeia ser fotografado e briga com repórteres por esse motivo, apareceu mais do que devia e, assim, ela o localizou.

As sessões de tortura comandadas por Ustra e JC eram sempre embaladas por música clássica. Quando era tocada num volume alto, alguém ali era torturado com requintes de crueldade. Era uma maneira também de evitar que os vizinhos ouvissem gritos. “Como gosto muito de música, consegui desvinculá-las da tortura e não consigo lembrar de nenhuma delas”, afirma a ex-estudante de Sociologia.

Em breve, Lenira deve repetir esses relatos aos procuradores Weichert e Eugênia. “Quem torturou da forma como ele torturou, não é uma pessoa normal. E eu não posso acreditar que ele não continue torturando presos comuns. Faz parte da personalidade sádica dele. Só um sádico sente prazer nisso”, desabafa. “Não posso permitir que isso aconteça novamente.”

O Ministério Público Federal tem a mesma preocupação. “É notório que o uso da tortura e da violência como meio de investigação policial ainda hoje pelos aparatos policiais brasileiros decorre em grande medida dessa cultura da impunidade. A falta de responsabilização dos agentes públicos que realizaram esses atos no passado inspira e dá confiança aos atuais perpetradores”, afirma a ação dos procuradores.

Manter hoje acusados de tortura em cargos públicos é um risco para a sociedade, assegura Weichert. “É preciso reconhecer que a tortura funciona. Uma pessoa que pratica tortura, que se acostumou com isso e exerce a função de delegado, traz um risco para a sociedade”, analisa. “Vamos analisar esse caso, mas ele precisa chegar a nós oficialmente.” A Ouvidoria da Polícia de São Paulo informou não haver denúncias de tortura contra presos comuns envolvendo o delegado.

Mas, na repressão política, a ficha corrida de Gravina é extensa. Altino Dantas Junior, ex-vereador do PT de Santos, acusa-o de ser responsável pela morte no DOI-Codi do preso político Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, em 21 de maio de 1971. Dantas enviou uma carta com a denúncia, em agosto de 1978, ao general Rodrigo Jordão Ramos, então ministro do Superior Tribunal Militar (STM), que adotava um corajoso posicionamento contrário às violações aos direitos humanos. “Por volta das 23 horas, ouvi quando o retiraram da cela contígua à minha e o conduziram para a sala de torturas, que era separada da cela forte, onde me encontrava, por um pequeno corredor. Podia, assim, ouvir os gritos do torturado. A sessão de torturas se prolongou até a alta madrugada do dia 21, provavelmente até 2 ou 4 horas da manhã, momento em que se fez o silêncio”, relatou o ex-preso político. “Alguns minutos depois fui conduzido a essa mesma sala de torturas, que estava suja de sangue mais do que de costume. Perante vários torturadores, excitados naquele dia, ouvi de um deles, conhecido pelo codinome JC (cujo verdadeiro nome é Dirceu Gravina), a seguinte afirmação: ‘Acabamos de matar o seu amigo e agora é a sua vez.’”


A violência não parou por aí. O Grupo Tortura Nunca Mais aponta JC como o policial que metralhou os estudantes Alexander José Ibsen Voerões e Lauriberto José Reyes, ambos militantes do Movimento de Libertação Popular (Molipo), em 27 de fevereiro de 1972, numa rua do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. A morte de Yoshitane Fujimori, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), também envolve uma polêmica. Ele teria chegado vivo ao DOI-Codi, em 5 de maio de 1970, conforme JC declarou a outros presos. Depois, apareceu morto.

Casos como esses nunca foram apurados. Para Weichert, incutiu-se no imaginário nacional a idéia de que a Lei de Anistia implica o esquecimento integral de toda a violência ocorrida no País. “Isso não se sustenta nem judicialmente nem sociologicamente. A Corte Interamericana de Direitos Humanos diz que não se faz reconciliação com esquecimento. Isso pressupõe verdade, transparência e justiça”, acredita o procurador.

O jurista Dalmo Dallari, professor aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), aponta como uma “contradição gritante” da Lei de Anistia a ampliação do indulto a todos aqueles que estavam a serviço do Estado. “Esses acusados não eram políticos, eram agentes públicos envolvidos em torturas. É uma legislação feita em causa própria, durante um governo ditatorial”, pontua. “É verdade que outros países seguiram pelo mesmo caminho durante um tempo. Era necessário evitar o conflito. Mas a Argentina e o Chile estão punindo seus repressores. Nós, 20 anos após a redemocratização, nem sequer abrimos os arquivos da ditadura. O brasileiro tem uma tradição de conciliação absolutamente exagerada.”

Se mirarmos no exemplo da Argentina, a história do acerto de contas com os repressores por lá é repleta de avanços e recuos na Justiça. Ainda assim, a impunidade não prevaleceu. Até o fim do ano passado, 263 militares e policiais foram presos ou processados pelos crimes cometidos realizados durante a ditadura. Entre eles, estão incluídos os ex-ditadores Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone, ambos em prisão domiciliar.

A Argentina passou por uma primeira ditadura de 1966 a 1973. Mas foi no segundo período ditatorial, entre 1976 e 1983, que a repressão aos opositores políticos foi marcada por uma violência sem precedentes.

Três anos após a redemocratização, os comandantes das quatro juntas militares que governaram o país foram julgados e condenados à prisão perpétua. As punições motivaram uma série de levantes militares. Para acalmar os quartéis, o então presidente Raúl Alfonsín decretou as chamadas “leis de perdão”, que impediram novos julgamentos contra repressores por 20 anos.

Diversos generais, a exemplo de Videla, obtiveram indultos e conseguiram manter-se afastados da cadeia por algum tempo. Em 2005, no entanto, a Suprema Corte argentina, já com vários juízes indicados pelo presidente Néstor Kirchner, derrubou as leis que protegiam os repressores. Centenas de processos contra militares e policiais reapareceram nos tribunais.

No Chile, há divergências sobre o número de vítimas da ditadura comandada pelo general Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990. As estimativas variam de 3 mil a 10 mil opositores assassinados. Apesar da elevada cifra, o governo democrático que sucedeu Pinochet não questionou a Lei de Anistia, que perdoava crimes anteriores a 1978. Nem tentou rever as regalias ao ex-ditador previstas na Constituição de 1980. Tanto que, após deixar a Presidência, Pinochet chefiou o Exército por oito anos.

Alvo de mais de uma dezena de processos que não vingaram, por conta dos benefícios de ex-chefe de Estado, Pinochet só foi preso graças ao empenho do juiz espanhol Baltasar Garzón, que acolheu as denúncias de familiares de espanhóis desaparecidos no Chile e abriu um processo contra ele pelos crimes de genocídio, terrorismo e tortura.

Em obediência a um mandado internacional de busca e apreensão expedido pela Justiça espanhola, a Scotland Yard deteve Pinochet em Londres, onde ele permaneceu em prisão domiciliar por 503 dias. De volta ao Chile, o ex-ditador perdeu a imunidade e continuou sob investigação, mas conseguiu se manter afastado dos tribunais por razões médicas. Morreu em 2006 e foi sepultado sem honras de Estado nem declaração de luto oficial. A presidente chilena Michelle Bachelet, presa, torturada e exilada durante a ditadura, recusou-se a comparecer ao enterro.

Apesar da condescendência com Pinochet, nos últimos anos a Justiça chilena iniciou uma série de julgamentos contra militares e policiais que atuaram na repressão. Pouco mais de 20 agentes foram condenados até agora, alguns à prisão perpétua. Mas, em maio, quase uma centena de militares chilenos e antigos oficiais da Dina, o serviço secreto da ditadura, foram presos pelos crimes cometidos sob as ordens de Pinochet.

No Brasil, a situação está muito aquém dos exemplos dos vizinhos do Cone Sul. Até agora nem sequer conseguimos responsabilizar na área cível um único agente de repressão. Que dirá colocá-los na cadeia. A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, por exemplo, insiste há anos na abertura dos arquivos da ditadura.

“Não precisa abrir tudo. Há documentos que podem comprometer a soberania nacional ou provocar incidentes diplomáticos. Como também existem pessoas que não estão dispostas a ver a vida de familiares devassada”, pondera o advogado Marco Antônio Barbosa, presidente da comissão. “Mas é necessário criar um critério justo e claro para revelar alguns documentos e avançar nesse trabalho de resgate da memória”, completa.

Para Barbosa, a punição criminal dos torturadores e assassinos a mando da ditadura ainda é algo muito distante da realidade brasileira. Ainda assim, ele acredita que o processo de responsabilização civil movido pelo MPF pode trazer avanços. “Os comandantes do DOI-Codi não serão presos, mas eles devem ser obrigados a ressarcir o Erário pelas indenizações que foram pagas por conta dos crimes. E o depoimento deles pode ajudar a esclarecer fatos ainda obscuros.”

Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, não poupa argumentos para defender a punição exemplar a todos os que atuaram na repressão política. Autor da representação que levou o MPF a ajuizar a ação civil pública contra os antigos comandantes do DOI-Codi, ele atuou em outros três casos contra a União movidos por familiares de vítimas. Para Comparato, o recente processo “pode abrir caminho para punir tanto os executores como os mandantes dos crimes”.

Embora considere difícil identificar todos os que ajudaram no aparato da repressão, até porque muitos documentos da época continuam sob sigilo de Estado, o advogado acredita ser possível, inclusive, estender esses processos aos colaboradores civis da ditadura. “Os empresários que ajudaram a financiar a repressão também devem ser punidos. É o princípio da co-autoria. E tem muita gente viva gozando dessa impunidade. Os filhos e netos deles têm o direito de olhar nos olhos dos pais e avós e perguntar: vocês foram responsáveis por mortes e torturas?”

A argumentação de Comparato tem relação com uma realidade ignorada por boa parte dos brasileiros. Os militares contaram com o apoio inestimável de setores da classe média e da elite, inclusive no financiamento dos órgãos de repressão. De acordo com um levantamento realizado pelo Projeto Brasil: Nunca Mais, diversas multinacionais, como o Grupo Ultra, a Ford e a General Motors, entre outras, financiaram a Operação Bandeirante (Oban), projeto piloto de repressão que resultou na criação do DOI-Codi (quadro à pág. 29). Entre os doadores, destaca-se a figura do industrial dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Boilesen, diretor do Grupo Ultra. Segundo relatos de vítimas, contestados pela família do empresário, ele participava pessoalmente de sessões de tortura e teria, inclusive, emprestado o nome a um instrumento de suplício: a “pianola de Boilesen”, uma espécie de teclado com eletrochoque.

Boilesen tinha trânsito livre na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Quem lhe abria as portas era Theobaldo De Nigris, que presidiu a entidade de 1966 a 1980. Diversos oficiais do Exército admitem que empresários davam contribuições financeiras à ditadura. Mas falam de forma genérica, sem citar nomes. É o caso do general-de-brigada Adyr Fiúza de Castro, que chegou a chefiar o Centro de Operações de Defesa Interna (Codi) do I Exército, no Rio de Janeiro.

Em depoimento para o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getulio Vargas (FGV), depois publicado no livro Visões do Golpe, Castro conta que, em 1964, ficou surpreso ao marchar com uma brigada do interior de São Paulo para uma unidade do Exército no Paraná: “Lá encontrei nada menos que 18 jipes novos em folha, doados pelos industriais de São Paulo”. Mas também há documentos militares, recentemente divulgados, que comprovam que alguns empresários se recusaram a dar dinheiro, a exemplo do industrial José Mindlin, do Grupo Metal Leve.

A honrosa exceção de Mindlin é sempre lembrada pelo jornalista Ivan Seixas, que passou pelas dependências do DOI-Codi paulista em abril de 1971, quando tinha apenas 16 anos. Filho do metalúrgico Joaquim Seixas, militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), ele foi levado ao cárcere juntamente com o pai, sob a acusação de terem executado Boilesen, o industrial acusado de contribuir e arrecadar dinheiro para a Oban. Enquanto eram barbaramente torturados, a casa da família foi saqueada. A mãe e os outros irmãos dele também foram presos.

Logo no segundo dia de cadeia, Ivan foi convidado a dar um “passeio” pela rua Tutóia, onde ficava a sede do sombrio DOI-Codi paulista. Surpreendeu-se, diante da banca de jornais, ao ler a notícia de que o pai havia sido morto num confronto com a polícia. “Eles mostraram a reportagem, mas meu pai estava vivo”, conta. Horas depois, a família ainda escutava a voz de Joaquim nos interrogatórios. Somente mais tarde, conseguiram ouvir um diálogo entre dois agentes que confirmou a morte. No processo contra a organização de esquerda MRT na Justiça Militar, há uma foto do cadáver de Joaquim. Para a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, que investigou o caso, há “inequívocos sinais de espancamento e de um tiro na altura do coração”.

Ivan permaneceu por um mês no DOI-Codi, depois foi transferido para outras delegacias e penitenciárias. Ao todo, ficou seis anos preso. “Nesse primeiro mês em que estive lá, não fui torturado pelo Gravina. Ele bem que queria. Veio pessoalmente na cela fazer ameaças, dizer que eu não sairia vivo. Mas ele não podia mexer comigo. Fui capturado por outra equipe. Já o Ustra, conhecido como Tibiriçá, esteve presente na sala. Não batia, mas dava ordens: ‘Põe ele no pau-de-arara, faz isso, faz aquilo’.”

Pelo que passou sua família nos porões da ditadura, Ivan gostaria que o governo e a Justiça brasileira tivessem a mesma postura dos vizinhos argentinos.


Caso Luís Palhano: “Não foi crime homofóbico”, aponta Ministério Público

Conforme divulgado em boa parte dos meios de comunicação do Ceará, a Polícia Civil e o Ministério Público do Ceará concluíram que a morte do professor universitário e militante gay Luís Palhano Loiola, 40, em maio, no interior do Estado, não foi motivada por homofobia, como suspeitavam entidades de defesa dos direitos de homossexuais, mas por vingança de um irmão do professor.  A prisão preventiva do agricultor José Palhano Loiola, 47, já foi pedida pelo promotor José Arteiro Goiano, de Crateús (354 km de Fortaleza), local do crime. Segundo Loiola, familiares do professor disseram não ter dúvidas da culpa do irmão.
Luís Palhano, então vice-diretor da Faculdade de Educação de Crateús, ligada à Uece (Universidade Estadual do Ceará), foi morto com 22 facadas. A apuração do caso apontou que o número de facadas foi inspirado no empréstimo bancário de R$ 22 mil que seu irmão queria obter para ampliar sua plantação de cajus. O professor foi o único da família a se opor ao oferecimento da casa dos pais como garantia para concessão do empréstimo, o que motivou o assassinato, segundo a investigação.

Luis Palhano Loiola - Um exemplo de luta


Notícias do GESAC
Infelizmente abro meu blog pessoal com uma postagem muito triste e chocante. Considero este canal de comunicação muito útil na divulgação de notícias para todo o Brasil. Espero que esta notícia ecoe pelo mundo de forma que sensibilize todos que tenham acesso a esta mesma.
Na última quinta-feira, foi encontrado morto com 21 perfurações a faca, em sua residência, o professor Luis Palhano Loiola, na cidade de Crateús - CE. Não se sabe as motivações para tal crime bárbaro, nem ao menos pistas concretas que levem ao verdadeiro culpado pelo seu trágico assassinato. O crime abalou a população local, estadual, regional e está tomando força em todo Brasil.
Com 40 anos de idade, o professor vivia uma fase muito produtiva de sua carreira profissional, desenvolvendo projetos de fortalecimento comunitário, produzindo artigos e livros, lecionando e formando cidadãos, além de lutar pela sua principal causa, a diversidade sexual.
No dia 1º de maio, dia do trabalhador, data reconhecida historicamente como a das lutas pelos direitos dos trabalhadores, morre um grande homem que tem estampado em seu trabalho e em sua passagem aqui na Terra algo muito lembrado na referida data. A luta. Seja nas causas trabalhistas, na diversidade sexual, no desenvolvimento e fortalecimento comunitário, na formação universitária e da juventude, no desenvolvimento acadêmico e cultural de seu município, Luis Palhano Loiola, doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará - UFC, ex-diretor e, atualmente professor da Faculdade de Educação de Crateús - FAEC da Universidade Estadual do Ceará - UECE. Nascido na cidade de Crateús, no distrito de Lagoa das Pedras, de origem humilde e filho de agricultores, Luis se destacou pela sua exemplar trajetória acadêmica e por sua incansável luta pelos direitos humanos. Com sua precoce morte ele deixa vários projetos a serem implantados tanto em sua cidade como em todo o estado do Ceará.
Todos que tiveram um contato direta e indiretamente com sua pessoa sentem sua falta e manifestam seu pesar diante de tamanha barbaridade.

Manuel Capilé Palhano orgulha-se de comandar a Guarda Municipal

Manuel Capilé Palhano e Maria Januária Capilé, filhos de pioneiros. Capile e Palhano, duas famílias que aqui chegaram e ao lado de tantas outras famílias pioneiras, plantaram seus sonhos e filhos, construindo uma cidade, Dourados.
Manuel Capilé é filho de uma família de 14 irmãos, criado dentro de princípios de uma educação rígida. Seu pai, Pedro Palhano, cidadão austero, cobrava-lhe sempre a sinceridade e honestidade. ?O que era seu, era seu e o que era dos outros, era dos outros? dizia.
A mãe, Maria Januária Capilé (Tia Marquinha), modesta e meiga, primava pela boa educação dos seus filhos.
O jovem Capilé começou cedo a trabalhar, primeiro numa loja de confecções (l963/1964), depois como bancário. Foi funcionário da Prefeitura através de concurso no ano de 1973, passando por diversos setores. Atuou inclusive como chefe da área financeira.
Como bancário administrou três agências, prestando serviços em Bela Vista, Corumbá, Cáceres, Pedro Gomes, Ivinhema e ao retornar para Dourados encerrou sua carreira. Com vasta experiência, Capilé prestou concurso no estado, passando a trabalhar na Secretaria de Fazenda, no setor de compras, com abrangência na região sul.
Capilé também atuou como fiscal de renda no estado do Tocantins. De funcionário de uma loja de confecções até fiscal de renda somaram 26 anos de muita luta. Com 46 anos, ingressou na PRF, sendo aprovado pela academia, competindo de igual para igual com concorrentes mais jovens, sem ter nenhum privilégio.
Depois de trabalhar nas cidades de Joinvile e Santa Catarina, aposentou-se em Dourados. Ao todo foram mais de sete anos de serviços prestados a PRF. Ao invés do merecido descanso, Capilé resolver retomar os estudos, formando-se em Direito. Não demorou muito para receber mais um convite desafiador em sua vida, que é comandar a Guarda Municipal.
? Tive muitos cargos importantes na minha vida, cumprindo-os com muito orgulho. Mas esse cargo de comandante da Guarda Municipal é o mais importante da minha vida, por meio do qual sirvo a minha cidade -, disse.
Para saber mais sobre a vida de Capilé, acompanhe a entrevista:

A Tribuna - Qual é sua avaliação da cidade de Dourados?
Capilé - Dourados hoje é uma cidade boa de se viver, considerada uma das melhores do Mato Grosso Sul.Temos a questão da violência, mas o índice de criminalidade é muito menor que em outras cidades brasileiras.
Confesso-me um saudosista, pois tenho saudades de Dourados de 1968 a 1970, quando podíamos jogar na praça, no domingo à tarde; passear de mãos dadas com as nossas amadas. Esse tempo está bem guardado nas nossas lembranças.
Dourados era uma cidade tranqüila. Todo o mundo era amigo de todos. Sabia-se quem era quem.

A Tribuna - Você ainda conserva amizades desta época?
Capilé - A grande maioria está aqui Dourados, outros já deixaram este plano. Fico feliz em saber que grande parte dos meus amigos se deram bem na vida.

A Tribuna ? Você se sente realizado na profissão?
Capilé - Cumpri o meu papel de cidadão, procurando sempre realizar tudo o que me propus na vida. Consegui corresponder a altura a conduta que aprendi com os meus pais e meus avós.

A Tribuna ?Qual a melhor herança deixada pelo seu pai?
Capilé - Meu pai era um homem muito exigente, pessoa de bem, mas muito rigoroso com seus filhos. Sou o mais novo de 14 irmãos, todos tratados da mesma forma. Com ele, aprendemos a trabalhar muito cedo e seus ensinamentos aplico no meu dia-a-dia.

A Tribuna - O que você espera de Dourados?
Capilé - Espero tudo, pois esta é a minha cidade. Se todos quiser Dourados seja melhor no futuro, temos que trabalhar para isso.

A Tribuna - Para encerrar, fale de sua família?
Capilé ? Sou casado com dona Raimunda Taveira Palhano e tenho uma filha, Andresa Kely, que é bacharel em Direito, professora pós-graduada. Ela tem muito de mim e do avô. Não poderia deixar de lembrar também da minha mãe, do carinho dela, da dedicação que tinha para com todos os seus filhos. Ela era chamada, muito carinhosamente, de Tia Mariquinha, a qual nos ensinou a importância da religiosidade em nossas vidas.

Heber Gonçalves Palhano - Comunista??

“OS ARAUTOS DA DISSOLUÇÃO”:
Mito, imaginário político e afetividade anticomunista, Brasil 1941-1947
MARCOS GONÇALVES

Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do Grau de Mestre em História, Linha de Pesquisa Cultura e Poder, do Programa de Pós Graduação em História (PPGHIS), Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. Orientação: Professor Doutor Luiz Carlos Ribeiro. Curitiba

Arquivo em PDF

2000 - Lamartine Palhano Júnior - ES

Dedicado pesquisador da fenomenologia espírita, desencarnou em Vitória (ES), no dia 14 de novembro de 2000. Lamartine Palhano Júnior nasceu na cidade de Coronel Fabriciano-MG em 15 de dezembro de 1946. Criança ainda, seus genitores transferiram residência para Vitória.



Casou-se com Dona Rosane Lima Palhano e tiveram dois filhos: João Marcelo e Clarice. Graduou-se em Farmácia e realizou seu mestrado na área de bacteriologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutorando-se em ciências, desenvolvendo ainda intensa atividade acadêmica.


Lecionou microbiologia na Universidade do Estado do Espírito Santo e patologia na Universidade Federal do Espírito Santo. Contribuiu de forma marcante com o Movimento Espírita em várias áreas: pesquisas científicas no campo mediúnico, publicação de livros, realização de palestras e cursos diversos.


Fundou a FESPE (Fundação Espírita Santense de Pesquisa Espírita) e logo depois o CIPES (Círculo de Pesquisa Espírita de Vitória). Participou de alguns seminários do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB), no Rio de Janeiro e deu grande contribuição à Casa Espírita Cristã de Vila Velha (ES).


De sua extensa bibliografia constam: livros infantis, infanto-juvenis, de estudos bíblicos, biográficos (Mirabelli - um médium extraordinário, Dossiê Peixotinho e outros), dicionários (Léxico Kardequiano e Dicionário de filosofia espírita), científicos (Experimentação mediúnica e outros), romances.









Vilna Palhano - Akrópolis - Serafim Ponte Grande

Serafim Ponte Grande

(Oswald de Andrade)

“Serafim, Um Grande Não-Livro "

(Haroldo de Campos)

Vilna Peçanha Palhano

Resumo


Os romance Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, (“escrito de 1928 para trás” ou “Terminando em 1928”, como se lê no prefácio) questiona a tradição da obra literária e nos propõe um novo conceito de livros e leituras, funcionando como uma caixa de surpresa. É neste contexto que pretendemos fazer uma releitura de estrutura, onde o lúdico baila e embala a técnica cubista.

Texto Completo: PDF

Joir Palhano - Ser ou não ser... eis a questão

  
Até hoje não sei se seria uma apresentação burlesca, ou se ele pretendia mesmo levar o texto a sério no palco do Programa Flávio Cavalcanti
A verdade é que ensaiávamos exaustivamente o texto que com cuidado escrevi na Olivetti, tanto em português, como no original.

Não me lembro bem porque ele não levou o projeto até o fim... se por desânimo porque não decorava tanta palavra difícil, ou porque não passou no teste, ou porque não conseguiu a caveira que o coveiro do Maruí lhe havia prometido em troca de uma razoável propina!!!

Infelizmente devo confessar que como ator , ele era um ótimo representante....de remédios"" "


“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
(…)”

Joir Palhano Neves - Olá, sou seu pai


Os mais novos olham e nem se dão conta que ela nem sempre esteve lá. Os mais velhos acabam se esquecendo do que foi e significou a construção dessa magnífica obra de engenharia chamada Ponte Rio Niterói.

Fundamental para a integração dos dois lados da Baía da Guanabara e do norte do Estado do Rio de Janeiro, suas obras foram iniciadas em Janeiro de 1969 e inaugurada com pompa e circunstância em 4 de Março de 1974.





Trazia com ela também meu pai de volta a minha vida.

Era constrangedor observar aquele homem, até então um vulto esmaecido do passado, ali sentado na minha frente para jantar, era véspera da inauguração!

Foi com um misto de espanto e comédia que ia percebendo na medida em que furtivamente o observava, entre uma garfada e outra, como nossos gestos eram parecidos...

Como uma dupla em nado sincronizado, nossos movimentos nos talheres, e maneiras á mesa eram incrivelmente copiados, como se estivéssemos nos olhando num espelho e não um ao outro.

Surgiu daí o apelido de "cópia fiel".

No dia seguinte fomos os dois, num Karmanguia branco de capota preta, atravessar a ponte inaugurada.
Sabe o que eu mais me lembro da construção da ponte ?
Foi quando, na sua inauguração, o Médici agarrou o Andreazza pelo braço e gritou para os jornalistas:

" - Este aqui fui eu quem descobriu !!!"

Até hoje não sei se isso foi um elogio ou uma confissão.

Na época, com 12 anos, não entendia muito de política... Apenas o que estudava nas escola.

Mas já estava no final o governo Médici e a falência do "milagre econômico" era visível até para mim, juntamente com a crise internacional do petróleo.


Em crise também estava aquele homem, talvez o único Palhano que não deu certo...

Antes criado num mundo de regalias e facilidades propiciadas por Nair Palhano, a mãe coruja e porto seguro para suas inúmeras sandices. Era difícil ser responsável e coerente em adulto, se não houve a base que sustentaria tais atributos!

Lúdico, apaixonado pelo amor e não pelas mulheres, tornou-se um "bon vivant". Mas esqueceu-se que havia nascido em berço de ouro empenhado...

Agora, falido pela terceira ou quarta vez, financeira e emocionalmente. era um mero representante de remédios em consultórios médicos.

Recém chegado das Alagoas, morava com a mãe num apartamento em bairro nobre, porém com ares de mofo e móveis antigos. Foi lá que conheci meus irmãos mais novos e minha madastra.


Foi paixão a primeira vista o que senti por aquelas criaturinhas tão lindas e encantadoras... Minha irmã faria 2 aninhos 4 dias depois.

Mas isso já é outra história...