Gazeta do Povo - Prêmio Bom Gourmet

 




O Lênin vencedor do Chef Revelação - Jovem Talento não lembra em nada o homônimo comunista. Do lema do revolucionário russo – paz, terra, pão, liberdade e trabalho o jovem paranaense se ocupa, principalmente, com o trabalho e o pão.
Com pouco tempo de carreira, Lênin, de 24 anos, já é subchef de cozinha no restaurante Terra Madre, mas não esquece o passado recente. Há três anos e meio, saiu de Londrina rumo a Curitiba para estudar gastronomia. Deixou a família e o curso superior de Turismo e transferiu-se para Gastronomia na Faculdade Opet, onde acaba de se formar. Acostumado com a infância em cidades tranquilas, o rapaz não se intimidou com a metrópole e logo buscou seu espaço. O primeiro emprego foi no fast-food Spoleto. Depois de rápida passagem pelo Dop Cucina, há três anos Lênin chegou ao Terra Madre. Trabalha ao lado do renomado chef Ivan Lopes, que ele declara ser uma grande referência. Lênin começou como garde manger (preparando saladas e canapés), mas queria ir adiante. Depois de passar por carnes e peixes, o londrinense se tornou subchef, e é responsável também pela compra de ingredientes – sem abandonar o fogão. 
Quando consegue unir a vida social e trabalho, Palhano se diverte. Relembra de quando criou o cardápio para o bar de amigos, em Santa Mariana, pequena cidade do interior.
Em meio à agitação na cozinha, Lênin Palhano se destacou pela concentração.
Ele trabalhou silenciosamente durante as duas horas permitidas, enquanto preparava o prato que mais agradou aos jurados: carré de leitão grelhado com penne ao molho de cenoura e ervas. Como decoração, acrescentou echalote (bulbo parecido com cebola) cozida em especiarias e alho confit. O carré foi grelhado minutos antes de ser servido – o que, na opinião da jurada Nádia Schiavinatto, foi uma decisão acertada. “Ele administrou bem o tempo e acertou a técnica. Enquanto todos estavam preparando a carne, a dele estava sendo marinada. O carré ficou macio e saboroso, como deve ser”, avaliou. Para o chef Laurent Suaudeau, Lênin executou bem a cocção. “O sabor bem definido conclui um trabalho simples e objetivo. Sua organização também foi essencial”, avaliou.



Justiça para Aluísio Palhano

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou nesta segunda-feira, em São Paulo, com ação civil pública pedindo o afastamento imediato, a perda dos cargos e aposentadorias de três delegados da Polícia Civil paulista que teriam participado diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964 - 1985).
A ação pede a responsabilização pessoal de Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araujo e Dirceu Gravina, os dois primeiros aposentados e o terceiro ainda na ativa. O MPF pede, também, a reparação por danos morais coletivos e a restituição das indenizações pagas pela União. Capitão Ubirajara, capitão Lisboa e JC, codinomes utilizados, respectivamente, pelos três policiais enquanto atuaram no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), foram reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão.
Os procuradores da República que propuseram a ação colheram relatos de ex-presos políticos e de seus familiares vitimados pelos atos dos três policiais, além de reunir depoimentos retirados de documentos como processos de auditorias militares, arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e livros, entre eles Brasil: Nunca Mais e Direito à Memória e à Verdade.
Pela documentação e depoimentos colhidos pelo MPF, os procuradores relatam na ação que, sob a alcunha de capitão Ubirajara, o delegado Aparecido Laertes Calandra participou da tortura e desaparecimento de Hiroaki Torigoe, da tortura, morte e da falsa versão de que Carlos Nicolau Danielli fora morto em um tiroteio, da tortura do casal César e Maria Amélia Telles, além de participar da montagem da versão de que o jornalista Vladimir Herzog teria cometido suicídio na cadeia. Reportagens dão conta de que Calandra teria participado também de torturas contra Paulo Vannuchi e Nilmário Miranda.
O depoimento de Maria Amélia Telles ao MPF mostra métodos de tortura física e psicológica aplicados por Calandra e outros agentes a serviço do Doi-Codi, como o uso de seus filhos visando constranger os depoentes em busca de "confissões". Maria Amélia relata que, numa oportunidade, após terem sido barbaramente torturados, ela e o marido foram expostos nus, marcados pelas agressões, aos filhos, então com 5 e 4 anos de idade, trazidos especialmente para o local como forma de pressioná-los. Ao ver os pais, a filha perguntou: "mãe por que você está roxa e o pai, verde?".
O atual presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa, Ivan Seixas, preso aos 16 anos, junto com o pai, Joaquim Alencar de Seixas, torturado e morto pela equipe do Doi-Codi da qual participava David dos Santos Araújo, o "capitão Lisboa", relata que este era o que mais lhe batia. Como forma de pressão sobre ele, os policiais o levaram para uma área próxima ao Parque do Estado, então deserta, e simularam seu fuzilamento. Depois, o colocaram em uma viatura e foi apresentada a ele a edição da Folha da Tarde em que a manchete anunciava que seu pai fora morto pelas forças repressivas. Ao chegar no Doi, seu pai ainda estava vivo.
Depois da prisão de Ivan Seixas e de seu pai, sua casa fora saqueada e sua mãe e irmãs testemunharam, com ele, as torturas a que seu pai foi submetido. Uma de suas irmãs relatou ao MPF ter sido abusada sexualmente por Araújo. O pai acabou morrendo naquele dia nas dependências da prisão.
O mais jovem dos três policiais e até hoje no cargo de delegado da Polícia Civil, em Presidente Prudente, Dirceu Gravina era chamado pelos colegas de JC - uma alusão a Jesus Cristo por, à época, com pouco mais de 20 anos, manter os cabelos compridos e lisos e usar crucifixo - e é lembrado nos relatos por sua violência e sadismo.
Avesso à imprensa, Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado, uma de suas vítimas, após aparecer em reportagem sobre investigação que o delegado conduzia acerca de "um suposto vampiro que agia na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes". Presa por três dias no DOPs, Lenira teve toda a roupa rasgada por Gravina e outros dois policiais quando foi transferida ao Doi-Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e lenço.
Em seu primeiro interrogatório no Doi-Codi, Lenira foi pendurada no pau de arara e submetida a choques elétricos. Nesta sessão de tortura, conseguiu soltar uma de suas mãos e, combalida, acabou por abraçar Gravina - que estava parado na sua frente, jogando água e sal na boca e nariz da presa. O contato fez com que o delegado sentisse o choque, caindo sobre Lenira e, em seguida, batendo o rosto, na altura do nariz, em um cavalete.
Após algumas horas, Gravina voltou do Hospital Militar, onde levou pontos no rosto, e retomou a tortura, a ponto de provocar uma grave lesão na coluna de Lenira, e, mesmo assim, não suspender a prática. A tortura contra ela era tão intensa que, em um determinado dia, teve que ser levada ao hospital, onde lhe foi aplicado morfina para poder voltar às dependências da prisão.
 
Gravina ainda é apontado como o último a torturar o preso político Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, dizendo a outro preso, após Palhano parar de gritar de dor, que sua equipe tinha acabado de matar o colega, ameaçando-o na sequência. "Agora vai ser você!" Desde então, nunca mais se teve notícias de Aluízio, desaparecido até hoje. 
Também foram vítimas de Gravina os presos políticos Manoel Henrique Ferreira e Artur Scavone.
Reconhecimento
Apesar do uso de apelidos (Calandra, por exemplo, não admite ter sido o capitão Ubirajara), os ex-policiais foram reconhecidos, em diversas oportunidades, em entrevistas à imprensa e em depoimentos ao MPF, pelos presos políticos. Ivan Seixas relata também que, durante as torturas, ao se referirem uns aos outros, os policiais se traiam, chamando os colegas pelo prenome.
Algumas vezes, chegavam a se identificar. Em uma ocasião, ao transportar Seixas numa viatura, Araújo voltou-se para ele, mostrou a carteira funcional e disse: "sou o delegado David dos Santos Araújo e não tenho medo de você".
Esta nova ação é mais uma das iniciativas do Ministério Público Federal em relação às violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. Essa atuação teve início em 1999 por meio da tarefa humanitária de buscar e identificar restos mortais de desaparecidos políticos para entrega às respectivas famílias.
Com o desenvolvimento das investigações, o MPF identificou que o processo de consolidação da democracia e reafirmação dos direitos e garantias fundamentais suprimidos pela ditadura requer do Estado brasileiro a implantação de medidas de Justiça Transicional: esclarecimento da verdade; realização da justiça, mediante a responsabilização dos violadores de direitos humanos; reparação dos danos às vítimas; reforma institucional dos serviços de segurança, para que respeitem direitos fundamentais; e promoção da memória, para que as gerações futuras possam conhecer e compreender a gravidade dos fatos. O objetivo dessas medidas é evitar que atos tão desumanos se repitam.

Jomar Monteiro

Referências mitológicas ligam as obras de Jomar Monteiro a um clima épico

A pintura de Jomar Monteiro se destaca dentro de um contraste íntimo entre a tradição histórico-cultural e um impulso profundo, individual, como bem se evidencia das obras que tratam de temas renascimentais como uma certa aproximação ao século XIX.

Trata-se de uma pintura intimamente entrelaçada sobre uma dialética que se instala exatamente quando o artista deseja se libertar de antecedentes ou cânones experimentais que acabam constituindo estados formativos para diretamente evidenciar aquele valor ideal que existe dentro de si mesmo.

Excelente desenhista e de temperamento exuberante, Jomar Monteiro persegue desde o início o caminho das grandes composições, exatamente no momento em que imperava o mito do fragmento e aqueles que afrontavam as amplas figurações para contar episódios exaltando ações humanas.

Ao examinar a sua obra temos a impressão que o caminho deste artista se desenvolve num clima épico da pintura figurativa, habilmente enxertada com referências mitológicas e históricas que ligam suas obras a uma iconografia de temas clássicos.

Através da obra "Eros", doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, Jomar Monteiro inspirado pela corposidade das imagens, uma visão escultórica das massas e o rigor da composição revela o caráter de sua personalidade.

O Artista


Jomar Monteiro nasceu em São Paulo onde formou-se pela Faculdade de Belas Artes e pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Desde 1986, atua como pintor, escultor e restaurador, adquirindo experiência em áreas multidisciplinares como a cenografia, arte digital, fotografia, xilogravura, litografia, serigrafia, desenho de animação e cinema. Após ter vivido em Havana (Cuba) e Madri (Espanha) onde abriu ateliers regressou a São Paulo onde reside e exerce suas atividades.

Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, entre elas:
Câmara Municipal de Rinópolis/SP; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo " FAU / USP; Faculdade de Belas Artes de São Paulo / SP; Paleta de Ouro (Salão Portinari) SP (1989); IV Mostra de Arte Jovem de Avaré / SP; Mostra de Gravuras centro Cultural Butantã / SP; II Salão de Artes Plásticas de Avaré / SP; VIII Mostra de Artes Plásticas Casa Branca / SP (1990); XII Salão de Artes Jovem de Santos / SP; III Salão de Artes Plásticas de Avaré / SP; Câmara Municipal de São Paulo " Instalação: "Arte e Pensamento Ecológico" (1991); VI Semana de Arte " Faculdade Anhembi-Morumbi / SP; Mostra de Arte Coletiva de Batatais / SP; Instalação PUCAMP -= Campinas / SP; Mostra de Arte Coletiva de Tupã / SP; Exposição "Novos Artistas" SESI " São Paulo / SP; IV Salão de Artes Plásticas de Avaré / SP (1992); XXII Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba / SP; Centro cultural de Santos / SP; I Salão de Artes Plásticas de Guarulhos / SP; III Salão de Artes Plásticas de Presidente Prudente / SP (1993); Galeria Jasmim " São Paulo / SP; I Salão de Arte Contemporânea de Santo André / SP; III Salão de Artes Plásticas SPFC São Paulo / SP; Espaço Cultural Metropolitano São Paulo / SP; Gravuras " Espaço Cultural Chap-Chap São Paulo / SP (1994); IX Semana de Arte " Faculdade Anhembi-Morumbi São Paulo / SP; Câmara Municipal de São Paulo / SP "Subjetividade do Movimento"; II Salão de Arte Contemporânea de Santo André / SP; V Salão de Artes Plásticas de Presidente Prudente / SP; IV Salão de Artes Plásticas SPFC São Paulo / SP (1995); Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva "Mitológicas" " Mococa / SP; Câmara Municipal de São Paulo "Mitológicas" " São Paulo / SP (1996).

Possui obras em diversas coleções particulares na Europa, Cuba, Brasil e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.

Morador de rua é preso por tentativa de duplo homicídio em Foz do Iguaçu

Policiais da Seção de Investigação e Captura da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu prenderam nesta sexta-feira (30) o morador de rua José Devanir da Silva, 31 anos, acusado de tentativa de duplo homicídio. Segundo o delegado Amarildo Antunes, Devanir e outros dois moradores de rua, Elton Vital Lopes, 33, e Celso Antônio Palhano, 34, bebiam cachaça em um terreno baldio na Rua Tenente Eduardo Olmedo, bairro Morumbi II, na madrugada desta sexta-feira.
Por volta das 4h, os três discutiram e Lopes e Palhano foram dormir no terreno mesmo. Lopes disse aos policiais que acordou de repente com as roupas e cobertores pegando fogo e viu que as roupas de Palhano também estavam em chamas. “Palhano conseguiu se livrar das chamas logo e teve apenas ferimentos leves e Lopes ficou com 2/3 do corpo com ferimentos”, disse o delegado. Silva foi preso em flagrante por tentativa de homicídio. “Os dois amigos disseram que ele fica muito doido quando toma cachaça e usa drogas e que essa foi a segunda vez que tentou colocar fogo neles”.

Rafaela Palhano - Atleta de MS de 12 anos é campeã nacional de hipismo

A campo-grandense Rafaela Palhano, de 12 anos, foi campeã nacional de hipismo neste fim de semana. O torneio começou sexta-feira e terminou ontem, quando Rafaela foi declarada campeã.

A menina, que treina há pouco mais de um ano, venceu na categoria em que os cavalos saltam obstáculos de 90 centímetros. A escala começa em 40 cm e vai até 1,60, na categoria profissional, disputada, por exemplo, nas Olímpiadas.

A competição reuniu seis federações: Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Cerca de 150 atletas participaram.

Rafaela chegou hoje de manhã a Campo Grande. Ela comentou que a chuva e o frio, de 3 graus, tornaram a disputa ainda mais difícil.

 Satisfeita com os resultados positivos que vem obtendo com apenas pouco mais de um ano de competições, ela disse que pretende reforçar os treinamentos para se tornar profissional.“Na próxima semana retomo os treinamentos”, contou.

Médico Ruy Palhano associa uso de drogas a violência e acidentes

O médico psiquiatra Ruy Palhano alertou, em palestra sobre o tema "Crack e a juventude maranhense", para os riscos consequentes do consumo crescente de drogas no Maranhão. A palestra, realizada na quarta-feira, 14, foi promovida pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc), na sede do órgão, no Bairro Monte Castelo, em São Luís.
Segundo Palhano, de cada 100 pessoas atendidas no Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, seja por acidente ou violência, em 95% dos casos, a causa está associada, direta ou indiretamente, ao consumo de drogas lícitas ou ilícitas. "A droga, quando consumida, afeta áreas do cérebro, como a responsável pelo medo", alertou.
De acordo com o psiquiatra, os danos mais comuns aos usuários de drogas são insônia, agitação psicomotora, ansiedade disfuncional (intensa), agressividade, alucinações visuais, delírios de perseguição, alucinações tácteis - sensação de ter formigas, insetos ou cobras imaginárias debaixo da pele. Após a excitação, há acometimento da sensação de cansaço, apatia, irritabilidade, tremores e comportamento impulsivo para depressão e suicídio.
A promotora de Justiça Glória Mafra, durante o debate realizado depois da palestra, chamou a atenção para o aumento do número de mulheres encarceradas como um fruto da crescente circulação de drogas. "O crime cometido pela população feminina nas prisões, geralmente, é o tráfico de drogas", avaliou. Ela informou ainda que foi enviada à Prefeitura de São Luís uma recomendação para que parte do orçamento público seja destinado a políticas públicas voltadas ao combate das drogas.
Políticas públicas - O secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Sérgio Tamer, destacou a importância de se discutir o tema. "O consumo crescente de drogas é uma preocupação que tem de mobilizar a todos, para que busquem o enfrentamento dessa questão", analisou.
Tamer afirmou que a Sedihc realiza um trabalho preventivo para evitar que o jovem entre no mundo das drogas. O evento foi, também, uma oportunidade de apresentar aos convidados, os membros que compõem o Fórum de Debates Permanente Sedihc.

Manuel Capilé Palhano orgulha-se de comandar a Guarda Municipal

Portal MS
 



horóscopo do dia

Horoscopo Diario

Com uma vida pautada no trabalho, ele comemora a oportunidade de ter prestado relevantes serviços

Manuel Capilé Palhano e Maria Januária Capilé, filhos de pioneiros. Capile e Palhano, duas famílias que aqui chegaram e ao lado de tantas outras famílias pioneiras, plantaram seus sonhos e filhos, construindo uma cidade, Dourados.
Manuel Capilé é filho de uma família de 14 irmãos, criado dentro de princípios de uma educação rígida. Seu pai, Pedro Palhano, cidadão austero, cobrava-lhe sempre a sinceridade e honestidade. ?O que era seu, era seu e o que era dos outros, era dos outros? dizia.
A mãe, Maria Januária Capilé (Tia Marquinha), modesta e meiga, primava pela boa educação dos seus filhos.
O jovem Capilé começou cedo a trabalhar, primeiro numa loja de confecções (l963/1964), depois como bancário. Foi funcionário da Prefeitura através de concurso no ano de 1973, passando por diversos setores. Atuou inclusive como chefe da área financeira.
Como bancário administrou três agências, prestando serviços em Bela Vista, Corumbá, Cáceres, Pedro Gomes, Ivinhema e ao retornar para Dourados encerrou sua carreira. Com vasta experiência, Capilé prestou concurso no estado, passando a trabalhar na Secretaria de Fazenda, no setor de compras, com abrangência na região sul.
Capilé também atuou como fiscal de renda no estado do Tocantins. De funcionário de uma loja de confecções até fiscal de renda somaram 26 anos de muita luta. Com 46 anos, ingressou na PRF, sendo aprovado pela academia, competindo de igual para igual com concorrentes mais jovens, sem ter nenhum privilégio.
Depois de trabalhar nas cidades de Joinvile e Santa Catarina, aposentou-se em Dourados. Ao todo foram mais de sete anos de serviços prestados a PRF. Ao invés do merecido descanso, Capilé resolver retomar os estudos, formando-se em Direito. Não demorou muito para receber mais um convite desafiador em sua vida, que é comandar a Guarda Municipal.?

Tive muitos cargos importantes na minha vida, cumprindo-os com muito orgulho. Mas esse cargo de comandante da Guarda Municipal é o mais importante da minha vida, por meio do qual sirvo a minha cidade -, disse.
Para saber mais sobre a vida de Capilé, acompanhe a entrevista:

A Tribuna - Qual é sua avaliação da cidade de Dourados?
Capilé - Dourados hoje é uma cidade boa de se viver, considerada uma das melhores do Mato Grosso Sul.Temos a questão da violência, mas o índice de criminalidade é muito menor que em outras cidades brasileiras.
Confesso-me um saudosista, pois tenho saudades de Dourados de 1968 a 1970, quando podíamos jogar na praça, no domingo à tarde; passear de mãos dadas com as nossas amadas. Esse tempo está bem guardado nas nossas lembranças.
Dourados era uma cidade tranqüila. Todo o mundo era amigo de todos. Sabia-se quem era quem.

A Tribuna - Você ainda conserva amizades desta época?
Capilé - A grande maioria está aqui Dourados, outros já deixaram este plano. Fico feliz em saber que grande parte dos meus amigos se deram bem na vida.

A Tribuna ? Você se sente realizado na profissão?
Capilé - Cumpri o meu papel de cidadão, procurando sempre realizar tudo o que me propus na vida. Consegui corresponder a altura a conduta que aprendi com os meus pais e meus avós.

A Tribuna ?Qual a melhor herança deixada pelo seu pai?
Capilé - Meu pai era um homem muito exigente, pessoa de bem, mas muito rigoroso com seus filhos. Sou o mais novo de 14 irmãos, todos tratados da mesma forma. Com ele, aprendemos a trabalhar muito cedo e seus ensinamentos aplico no meu dia-a-dia.

A Tribuna - O que você espera de Dourados?
Capilé - Espero tudo, pois esta é a minha cidade. Se todos quiser Dourados seja melhor no futuro, temos que trabalhar para isso.

A Tribuna - Para encerrar, fale de sua família?
Capilé ? Sou casado com dona Raimunda Taveira Palhano e tenho uma filha, Andresa Kely, que é bacharel em Direito, professora pós-graduada. Ela tem muito de mim e do avô. Não poderia deixar de lembrar também da minha mãe, do carinho dela, da dedicação que tinha para com todos os seus filhos. Ela era chamada, muito carinhosamente, de Tia Mariquinha, a qual nos ensinou a importância da religiosidade em nossas vidas.

Projeto de Junior Teixeira transforma figueiras em patrimônio histórico -Mato Grosso

Projeto de lei apresentado pelo vereador Junior Teixeira (PDT) transforma em patrimônio histórico do município as duas árvores da espécie Figueira, localizadas na Avenida Presidente Vargas, no início da Rodovia Pedro Palhano (MS-156), que liga Dourados a Itaporã. A proposta está tramitando nas comissões internas da Câmara e deve ser votada em plenário nos próximos dias.

“Essas figueiras centenárias fazem parte da história de Dourados e não podem ser derrubadas devido às obras de duplicação da MS-156. Entendemos que a duplicação é extremamente importante, pois vai ajudar a salvar vidas. Entretanto, é preciso encontrar uma forma de fazer essa obra sem derrubar as Figueiras”, afirmou Junior Teixeira. Ele afirmou estar confiante na aprovação do projeto e consequente sanção pelo prefeito Ari Artuzi, transformando a proposta em lei municipal.

O vereador pedetista disse que a preservação das árvores atende ao pedido feito pelo pioneiro Pedro Palhano, na época em que doou parte de suas terras para construção da rodovia que leva seu nome.

Diógenes Palhano, 78, e Octaciano Ramão Palhano, 75, filhos de Pedro Palhano e nascidos da chácara Jaguapiru, em Dourados, contam que a manutenção das Figueiras era o sonho do pai.

Pedro Palhano veio para Dourados em 1918, junto com Manoel Pompeu Capilé, o Major Capilé. Na região, adquiriu uma área de terra, atualmente o fim da Presidente Vargas e começo da MS-156.

Octaciano conta que as árvores já existiam no local quando o pai comprou as terras. O desbravador derrubou a mata para criar gado, mas deixou as duas Figueiras, uma para dividir a chácara e outra para fazer sombra para o gado.

Quando doou três hectares de suas terras à União para construção da rodovia entre Dourados e Itaporã, Pedro Palhano exigiu que a empreiteira não cortasse as Figueiras, conforme a história relatada por Diógenes e Octaciano Palhano no dia 11 deste mês ao empresário Paulo Sérgio Fernandes Rosas, defensor da preservação das árvores.

“Assim como a Figueira da Avenida Guaicurus que foi tombada como patrimônio histórico do município, queremos que as Figueiras da Presidente Vargas tenham o mesmo destino, numa justa homenagem a Pedro Palhano”, afirmou Junior Teixeira.

TRT do Ceará encerra Semana da Biblioteca

 Com um show do Coral Sétima Voz, e o lançamento de livros das escritoras Mundinha Andrade e Zuleika Palhano, a Biblioteca Aderbal Nunes Freire, do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, 7ª. Região encerrou festivamente as comemorações da Semana da Biblioteca e do Livro e os 35 anos de sua criação. Simbolicamente a Diretora Geral do TRT, Mônica Boteklho fez a doação de livros para o grupo Amigas do Livro, arrecadados pela Biblioteca. Autoridades prestigiaram a solenidade, como a Presidente do TRT, Desembargadora Dulcina Palhano, o Embaixador do Brasil e Portugal, Paes de Andrade, o Vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Fernando Ximenes e ainda a Procuradora do Trabalho Fernanda Uchoa e os juizes trabalhistas Emanuel Teófilo Furtado, Antonio Teófilo Filho, Sinésio Bernardo de Oliveira, Paulo Régis Machado Botelho, Marcelo Lima Guerra, Hermano Queiroz Junior e Plauto Carneiro Porto.
Dra. Wanda Palhano apresenta
Escritora Zuleica Palhano
Os livros e escritoras foram apresentados, Mundinha Andrade pelo jornalista Macário Batista, presidente do Comitê de Imprensa da Assembléia do Estado e Assessor de Comunicação Social deste TRT, e Zuleika Palhano pela Diretora Presidente do Jornal O Estado, jornalista e Procuradora do Serviço Público Federal Wanda Palhano. Macário Batista destacou a força de juventude e os lançamentos internacionais feitos por Mundinha Andrade, enquanto Wanda Palhano chamou atenção para a inteligência e o brilho da irmã, que desde muito pequena desafiava mestres como aluna modelo e inconformada com o que tentavam lhe impor. A Desembargadora Presidente, Dulcina Palhano, falou na solenidade em cumprimento aos componentes do Coral Sétima Voz e deu as boas vindas a todos os presentes. Ao final as escritoras autografaram suas obras
.Macário Batista apresenta
Escritora Mundinha Andrade

Londrina - A gleba que não é gleba

A Fazenda Palhano estendia-se de um marco no distrito rural do Espírito Santo – incluindo o patrimônio Aviação Velha, área que foi cedida por Mábio Palhano para a construção do primeiro campo de pouso de Londrina – até às margens do hoje Lago Igapó, passando pelas áreas da Universidade Estadual de Londrina e shopping Catuaí. Os seis irmãos Palhano detinham, juntos, 1.200 alqueires de terra. Mábio tinha 350 alqueires e comprou dos irmãos, nos anos 1920, outros 400 alqueires.
Até a década de 1970, a venda de parte das terras da antiga fazenda foi feita de forma irregular. Somente com a aprovação da lei 1.794/1970, o Executivo Municipal pode “aceitar o parcelamento da subdivisão da Fazenda Palhano já efetuada pelo seu proprietário, independentemente de seu enquadramento na legislação vigente”.
Hoje, a Gleba Palhano não existe mais já que, por definição, gleba é uma propriedade individual de área igual ou superior a 10.000 m². O que existe são diversos bairros unidos sob a denominação baseada no imaginário popular. Formalmente, pelo mapa oficial de Londrina – elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) - o bairro Palhano é uma área que começa na Avenida Ayrton Senna e vai até o viaduto da PR-445 (rodovia Celso Garcia Cid). Dentro dessa área, estão bairros como Vila Satler, Jardim Lago de Trento e outros. (T.E.)

Homenagem a Mabio - Gleba Palhano - PR

21 de fevereiro de 2010

Segunda Edição - Novembro de 2010

Editorial:

A primeira edição do Jornal da Gleba foi um grande sucesso sob todos os aspectos. Fomos muito bem acolhidos pelos moradores e comerciantes da Gleba Palhano e região. Agradecemos a todos que nos apoiaram e incentivaram a continuarmos com esta publicação. Também agradecemos aos e-mails elogiosos e as pautas sugeridas pelos leitores.

Seguindo esta linha contaremos nesta segunda edição um pouco sobre a história maranhense Mábio Palhano, que deu nome ao bairro. Pioneiro, Mábio abriu as primeiras clareiras nas matas do norte do Paraná em 1919. O lugar onde escolheu para a fazenda da família Palhano deu lugar, 90 anos mais tarde, a uma das regiões mais nobres de Londrina.

Uma perfeita contradição que pode ser remetida ao seu pioneiro. Um visionário sempre em busca do progresso, Mábio encontrava nas matas a calmaria. E hoje é o que encontramos na Gleba Palhano, um lugar cheio de progresso, que atrai o desenvolvimento, mas que não abre mão da tranquilidade assegurada pela qualidade de vida.

Assim como Mábio, o Jornal da Gleba também chegou como pioneiro desbravando “matas de concreto”. Por acreditar no potencial da Gleba Palhano, este periódico veio como mais uma ferramenta de auxílio para os moradores e comerciantes da região. Um jeito fácil e atraente de continuarmos, juntos, um sonho de progresso que deu início ainda no século passado.

Goretti Palhano - Escolher seu próprio sonho de felicidade

Dar outra direção à vida, transformar o trabalho, morar em outra cidade ou país, viver prazerosamente e expressar um divertido hobby para o mundo parecem situações simples para quem deseja uma transformação pela qualidade de vida. Infelizmente, não são. Ter atitude e decisão em benefício próprio é algo que precisa de muita coragem, determinação e confiança em si na própria vida. "É você acreditando naquilo e o mundo inteiro ao teu redor dizendo que isso não vai dar certo", relata Goretti Palhano, a fisioterapeuta que trabalha com acupuntura e que, agora, ao lado do marido, Tonny Palhano, assumiu o tango como profissão e opção de vida.

Foi a dança a responsável por uma revolução na vida dos dois. O tango faz parte do mundo de Goretti desde a infância, quando ouvia e dançava com o seu avô materno, ainda bem pequena, com idade entre seis e sete anos. "No café da manhã mesmo eu e meu avô ouvíamos e dançávamos tango", relembra.

Retorno ao tango

Uma das certezas de sua vida era ser bailarina. Começou com o balé clássico e, em seguida, explorou toda a criatividade da dança do ventre. As duas modalidades acabaram a levando para a desenvoltura da dança de salão e, finalmente, retornou sem perceber ao próprio tango.

Depois de um tempo parada, Goretti ganhou um bolsa para fazer aulas da dança argentina. Foi daí que se deu o encontro com Tonny, um ex-militar que trocou as Forças Armadas pela dança de salão e que, mais tarde, se tornaria seu marido. Durante algum tempo ele conciliou as duas atividades, porém, ao perceber a verdadeira paixão pela dança, não hesitou em trocar as armas pelas sapatilhas. O que antes era uma brincadeira, virou profissão. Tonny tornou-se professor de tango e Goretti sua aluna aplicada. A parceria foi tão bem-sucedida que os dois passaram a se aprimorar de tal modo no tango que chegaram a montar uma academia a fim de preparar novos profissionais para apresentações artísticas. Na sequência foram convidados para dar aulas, workshops e viajar pelo Brasil para mostrar a sua arte. No final do ano, prepararam um espetáculo de dança que será reapresentado este mês.

Assumir a dança como profissão para Tonny e Goretti Palhano não foi fácil. Quando era militar, Tonny enfrentava preconceito dos colegas. "Faziam piada comigo como ´cadê a sapatilha?´, pelo fato de eu gostar de dançar", lembra ele, relatando que a família também questionava como ele iria viver.

Já Goretti destaca que só conseguiu ter a dança como trabalho depois que se formou. "Meu pai disse que eu poderia até dançar, mas antes tinha que ter um diploma. E eu tenho dois", conta ela, acrescentando que, para assumir um sonho como a dança é preciso muita coragem. "O medo é grande, teve muito choro", comenta.

Do ponto de vista financeiro, Goretti diz que quase não há diferença no salário e que, na maioria das vezes, ganha mais dinheiro com as apresentações do que no consultório. "Só atendo três ou quatro pacientes por dia. No restante de meu tempo procuro utilizar para fazer um exercício funcional, tudo com o objetivo de preparar bastante o meu corpo para a dança. Hoje, estou fazendo ginástica olímpica", conta a fisioterapeuta.

Não se acomodar

Para a psicóloga Adriana Gomes, que foi uma das alunas aplicadas e chegou a fazer aulas, aprendendo a dança do ventre com a professora Goretti, há pessoas com grande dificuldade em promover mudanças em sua vida. Ficam, segundo ela, em um campo de estagnação, paralisadas pelo medo do novo.

Aliando terapias complementares à Psicologia, tais como a meditação, Reiki e florais de Bach, ela cita a essência Chestnut Bud, exatamente para o caso de as pessoas não aprenderem as lições que a vida proporciona, obrigando-se a repetir indefinidamente algumas experiências desagradáveis. Significa que, muitas vezes, a pessoa sente que cai sempre no mesmo buraco.

O ciclo de repetição (re = de novo, petição=pedido) só ocorre quando não se aprende o acontecimento ensina. "Há pessoas que têm muita dificuldade em lidar com o novo. Para elas, é muito difícil soltar o que está ruim por ser assustador lidar com situações novas. Escolhem ficar com o que já conhecem, mesmo não sendo o que querem ou sonharam", sinaliza.

Qualquer novidade exige que se renuncie algumas coisas. Lidar com essas possíveis perdas nem sempre é satisfatório para algumas pessoas, que nunca querem perder ou deixar nada para trás, como é necessário nos momentos de mudanças. O essencial é nunca se acomodar, uma vez que as zonas de conforto que vão sendo estabelecidas ao longo de nossas experiências de vida são muito perigosas, por significarem estagnação. E quando se estagna na vida é praticamente impossível qualquer tipo de mudança e avanço.

Fazer o que se ama
No final deste mês, o casal Tonny e Goretti Palhano deixa Fortaleza para morar em Buenos Aires em busca do sonho de se profissionalizar no tango. "Eu nunca vi nenhuma fortuna ser criada com pessoas fazendo o que não amavam. As pessoas devem crer que a melhor coisa é investir seu tempo no que mais apreciam e não deixar que ninguém lhes diga que não é possível. Eu perdi parte da força, flexibilidade e equilíbrio do corpo por conta de um acidente vascular cerebral (AVC) há 10 anos. O médico disse que seria impossível eu voltar a dançar, mas não desisti e recuperei todas essas habilidades através da dança. Hoje, sem dúvida, danço muito melhor. Temos que acreditar em nosso potencial e procurar alguém que nos encaminhe, que tudo acaba dando certo", assegura Goretti .

Outro que também fez uma opção séria em sua vida há alguns anos foi o professor universitário Nivando Bezerra, 37. Recorda que tinha dois empregos e trabalhava muitas horas por dia. Apesar de adorar dar aulas, estava cansado e não tinha tempo para atividades que gostava nem para ter qualidade de vida.

Foi então que decidiu largar um dos empregos. Desde então, passou a fazer esportes, prática que gosta muito. Também optou por aprender coisas novas, como surfar e falar alemão. "Sempre gostei de esportes, mas ficava difícil conciliar com a rotina de trabalho. Dei uma desacelerada e agora consigo trabalhar e fazer outras coisas de que gosto, como voar de parapente, fazer natação, fotografar e, mais recentemente, estou aprendendo a surfar", relata Nivando.

A busca pela qualidade de vida sempre esteve presente em sua vida. "Desde a faculdade, eu ficava observando os meus colegas em busca de empregos e eu sempre quis dar aula. Gosto muito de estar entre os jovens, de passar o conhecimento que adquiro. É sempre um aprendizado muito grande", conta.

Ainda querendo fazer muitas coisas prazerosas, Nivando brinca dizendo que tem dias que se sente "realmente feliz e outros que se sente cansado" pela grande quantidade de coisas que hoje consegue fazer. No entanto, acha difícil diminuir a quantidade de trabalho, quando todas as pessoas só pensam em produzir. "É complicado quando todos afirmam que você não quer trabalhar porque é preguiçoso. Na verdade, você quer mesmo é fazer o que gosta, se sentir bem e feliz", confirma o professor

Mais abertura para o novo
"As mudanças não acontecem de uma hora para outra. Tudo é um processo na vida da gente. Primeiro, precisam ser idealizadas para depois serem processadas e realizadas". O testemunho é da médica pediatra Verônica Porto Freire, que recentemente realizou um sonho antigo de criar um centro de terapias holísticas, o Tricaya Center.

Isso não significa, no entanto, que ela tenha abandonado a medicina pediátrica. "Pelo contrário, estou cada vez mais dedicada às minhas crianças, que são os seres mais puros que existem e me inspiram muito", explica. Continua com suas atividades no hospital e consultório.

Fazer algo diferente, conforme ela, faz parte da sua missão na terra. "Eu ouvi a minha voz interior. Como sei que o futuro é fruto do agora, sempre me mantive aberta ao novo. Cada um tem a consciência de saber o que fazer e buscar seu próprio caminho ", ensina.

Abrir o Tricaya Center, para Verônica, foi na realidade a materialização de um desejo profundo. Ela conta que passou anos planejando tudo em sua cabeça. De forma repentina, lembrou que sua família já possuia o terreno perfeito. "Quando você resolve fazer, acaba tendo a certeza daquilo e mergulha de cabeça", afirma.

Desejava atuar em um local silencioso e com muitas árvores. No espaço que criou já estavam lá dois cajueiros que tomavam quase todo o terreno, oferecendo muita sombra. Também várias salas, incluindo a de seu consultório pediátrico.

Praticante de meditação, yoga, reiki, terapia da respiração e, agora, recém-formada em Constelações Familiares, em uma recente viagem à Índia, confirmou ainda mais seu amor pelas crianças, se vendo em vários momentos rodeada delas.

A medicina sempre foi a sua vocação, admite Verônica. "Foi a medicina que me libertou do medo", conta. Desde criança, cuidou da mãe que tinha asma e, pelas limitações físicas dela, também cuidou dos irmãos pequenos. "Acho que sou pediatra por isso".

Observa o medo do novo como algo natural. Ressalta, contudo, ser necessário enfrentar o medo para superá-lo e, então, evoluir e crescer. "O medo existe porque Deus fez tudo perfeito. Só que, de forma equivocada, pensamos ser imperfeitos". Além das terapias, seu espaço tem dança, tai chi chuan e rituais do fogo e da lua.

Paixão de colecionador que virou negócio
"Tudo o que eu tenho hoje é consequência do meu hobby", diz Silvyo Amarante, ex-militar apaixonado por revistas desde o seis anos de idade. Hoje, aos 57 anos, vive dessa antiga paixão e declara não se arrepender de ter mudado de vida para se tornar um colecionador de magazines e dono da maior "comic shop" da cidade.

Nos anos 70, Amarante foi militar, chegou a ter uma casa lotérica (não por acaso chamada de Quadrinhos Lotérica), porém, nunca deixou de lado o amor pelas coleções. Segundo ele, em todos os lugares nos quais viveu era de praxe ter um local só para guardar seus exemplares. Seu acervo chega hoje a 1,5 milhão de revistas de todos os gêneros, guardado em mais outros quatro depósitos.

O colecionador conta que seu pai, que só aceitava seu hobby por conta das boas notas na escola, disse que "ele só daria para o jogo ou para ter uma livraria". E estava certo. No entanto, não conseguiu conciliar os dois negócios e continuou só com a loja de revistas, aberta há 15 anos em uma antiga casa alugada na Av. Pontes Vieira.

Hoje, a comic shop Revistas e Cia guarda preciosidades como o primeiro exemplar da Revista Cruzeiro (primeira paixão de Amarante), mas também é recheada de novidades como os famosos mangás japoneses, que tanto fascinam os jovens de todas as idades.

O comerciante diz que sua maior felicidade na vida tem sido trabalhar no que gosta e lembra ter enfrentado muitas críticas por isso. "Às vezes fico sem saber se estou brincando ou se trabalhando", se diverte.

Renunciar ao sofrimento

Abrir novas portas, segundo a psicóloga Adriana Gomes, requer coragem e muita determinação. Além do amor por aquilo que se pretende realizar. Nem todos querem renunciar alguma coisa para obter o que deseja. Há pessoas que conduzem uma relação matrimonial que não suportam, por não desejarem renunciar nada. "O medo de se ficar sozinho é muito grande, embora muitos não queiram mesmo renunciar ao seu sofrimento. Não raro, acabam encontrando outra pessoa - um novo "amor" - para cuidarem, repetindo o velho padrão".

Há épocas de grandes desafios. Como determinadas áreas desafiadoras a cada um de nós, sinaliza a psicóloga, que indica terapias complementares para auxiliar nos processos de mudança. São formas de dar um "empurrãozinho", para o encorajamento de se conquistar a vida que se deseja.

A psicoterapia é um bom recurso. Aliada aos florais de Bach, meditação, renascimento, abordagens corporais, biodança, entre outras, costumam contribuir bastante para esse enfrentamento. As terapias energéticas, como o Reiki, são bastante eficientes em momentos de cruciais que antecedem às mudanças, importantes ao crescimento. Tudo isso contribui na eliminação de antigas cargas que não são mais necessárias, tornando o processo menos assustador do que aparenta ser.

Adriana revela ser fundamental observar que todos temos dentro de nós o lado que resiste às mudanças por medo. Quando identificamos esse medo e o enfrentamos, saímos da paralisia. "O amor à vida é o sentimento essencial".

É o amor e não o medo, diz, que revela nosso ser autêntico e faz com que nos manifestemos de forma congruente com nossos ideais. Quando estamos inteiros, irradiamos confiança.

Cometer loucuras

Silvyo Amarante conta que já cometeu várias loucuras em busca de seu sonho. Além de ter deixado as faculdades de Administração e Economia nos últimos semestres, revela ter comprado, aos 10 anos de idade, cerca de duas mil revistas, sem ter dinheiro algum. Ao chegar e casa, seus pais disseram a todos que o menino era louco e acabaram comprando todos os exemplares.

E não parou por aí. Ele chegou a vender um terreno - herança de seu pai - para comprar um valioso acervo de um colecionador. Mesmo sofrendo reprovações, ainda comemora, pois ganhou cerca de três vezes mais do que gastara vendendo apenas poucos desses exemplares.

Hoje, revela se sentir feliz e realizado com sua loja, embora creia que todas essas obras valiosas não devessem estar com ele. "Acho que deveriam estar em algum lugar para que todos pudessem ter acesso. Trabalhar com arte no Ceará é complicado", desabafa.

Em breve, Amarante lançará um livro que escreveu na época em que era militar. "Mundografia Moderna", o qual contará com ilustrações de Glauco Sobreira, mais um sonho realizado pelo colecionador.

Fabiano Palhano

Amar é uma escolha. 
Acertar é uma dúvida. 
Errar pode ser uma certeza. 
Mas Deus pode te orientar!

Wanda Palhano - Um jornal, uma vida

A narrativa social do O Estado começa em 24 de setembro de 1936, com a sua criação. Com mais de 21 mil edições o jornal é conhecido por sua credibilidade e tradição. E na grande maioria das vezes o simples ato de folhear estas páginas de notícias esconde a verdadeira VIDA presente neste papel: desafios, perdas e conquistas contidas nas mais de 500 mil folhas já publicadas, aproximadamente.
Por ser uma empresa familiar a história do Jornal às vezes se confunde com a biografia da vida de alguns dos principais personagens. Ninguém melhor para falar sobre essa tal intimidade do que a atual presidente, Wanda Palhano. Após a morte do seu marido, Venelouis Xavier Pereira, em 1996, resolveu enfrentar as dificuldades e tocar o jornal.
“O Jornal tem sempre sido remodelado e novas funções foram, com o tempo, distribuídas entre os irmãos. “Eu trago como característica da presidência, o meu tom conciliador e nossa capacidade de fazer parcerias”, completa Wanda Palhano.
Solange Palhano, diretora de Marketing e Patrimônio, admite que o jornal O Estado é sua vida. Aos nove anos de idade já escrevia para o veículo, na época denominada como a “loirinha repórter”. Solange escrevia para o periódico sobre diversos assuntos, com uma coluna diária de fofocas sobre garotos da sua idade, na época. A coluna também abordava assuntos sobre empresários e políticos.
“Trabalhar em família é maravilhoso! Não existe problema, basta haver o devido respeito e valorização de cada trabalho que dá certo. Dessa forma, se torna muito gratificante continuar um trabalho que veio do meu pai, o que muitos não acreditavam ser possível. Mas com muita luta, amor pela profissão e trabalhando de forma inovadora, conseguimos até hoje informar com veracidade aos nossos leitores, que são nossa maior preocupação”, declara.
Ricardo Palhano, superintendente do jornal, ingressou na profissão aos 16 anos, começando como revisor e depois promovido a diagramador. Apaixonado pela profissão permanecia na Redação do início ao fechamento da edição. “Sempre nos reuníamos com políticos e jornalistas e conversávamos sobre diversos assuntos”.
“Nossa preocupação sempre foi e sempre será atender aos reclames e anseios da minoria que não encontra voz em outros veículos. O que justifica a nossa liberdade, ensinada por meu pai Venelouis Xavier, fundador do jornal. Mesmo após sua partida, a família colocou o jornal à frente, puxando pela liberdade de imprensa, pluralizando os fatos e mantendo averacidade.
Rebeca Férrer Xavier, diretora de marketing, acredita na evolução do veículo, devido a dedicação dos irmãos que vêm sempre buscando assegurar seu espaço na imprensa livre do Ceará. “Mesmo sendo uma empresa familiar, nós respeitamos o espaço de cada um, o que nos mostra um crescimento gradativo, e cada um de nós, os irmãos, vêm dando o melhor de si, em função da evolução do O Estado, pela dedicação que temos dia e noite”.
Soraya Palhano, diretora financeira do Estado e fundadora da Casa de Jeremias, abrigo mantido pelo Jornal, completa: “eu tenho muito orgulho de fazer parte dessa família, pois sabemos que o Jornal é um agente transformador educativo. Ele é a voz de quem não tem voz, é o espaço de defesa de direitos e de mediação. Cada dia é uma vitoria para nós que temos que colocar o Jornal nas ruas diariamente.
Sempre fomos uma Empresa que não temos censura e lutamos pela liberdade. Agora, estamos em uma fase de consolidação e crescimento. Estamos estreitando nossos laços com o leitor que confia no nosso trabalho. Venelouis foi um homem admirável e solidário que sempre dava chance para todos os seus funcionários. Aqui no O Estado, só não cresce profissionalmente quem não quer. É com muita alegria que festejamos esses 73 anos”, afirmou Soraya Palhano.
“Nesse pensamento, temos conseguido ampliar nossos leitores assinantes e por conta disso o jornal completa 73 anos de existência, fato não muito comum entre as empresas do Estado, onde pouquíssimas conseguem alcançar meia década”, arremata Ricardo Palhano, superintendente do Jornal O Estado.

Wanda Palhano - Editorial: O Estado - Um jovem de 73 anos



Até parece que foi ontem...Nascido naquele distante 24 de setembro de 1936, o Jornal O Estado está completando, hoje, 73 anos de fundação, com a aparência e o vigor de um jovem que, por meio de um trabalho sério e eficiente, ignora a palavra DERROTA para superar os desafios. O espírito de superação tem acompanhado a trajetória do jornal ao longo dessas mais de sete décadas, na defesa da livre expressão e no combate às desigualdades. Foi assim em um primeiro momento, sob o comando de José Martins Rodrigues, sequênciado com Venelouis Xavier Pereira (1964-1996) e, mais recentemente, com seus sucessores :

Wanda Palhano,


 Ricardo Augusto Palhano Xavier e Soraya Palhano, 


Solange Palhano


, Adlay Stevenson de Palhano Xavier, e  Rebeca Ferrer Xavier.


A trincheira de lutas chamada Jornal O Estado chega aos seus 73 anos, respaldado pela credibilidade conquistada junto à sociedade cearense por exercer um jornalismo com independência e expressando a verdade, doa a quem doer.

No último biênio, por exemplo, O Estado deu outro exemplo de uma saga vitoriosa pela força do trabalho. Enquanto o mundo sofria as consequências de uma crise econômica sem precedentes na história, o jornal explorou a criatividade e ousadia do seu corpo funcional para crescer.

 Neste período, enquanto as empresas reduzia postos de trabalho, reduzia despesas e paravam de investir, por conta das incertezas nos cenários interno e externo, o jornal contratava mais profissionais, ampliava o seu leque de produtos, com o lançamento de novos cadernos e adquiria modernos equipamentos para ampliar seu parque gráfico e tecnológico. 
Graças a essa nova mentalidade de gestão,

O Estado desconheceu a CRISE ECONÔMICA. Pelo contrário, conquistou mais espaço no mercado e chega ao seu aniversário de 73 anos dividindo com seus clientes, leitores, amigos e colaboradores, o brinde de mais uma etapa vencida e da certeza de que estamos no caminho certo!

Dulcina de Holanda Palhano - Fortaleza - CE

Presidente Dulcina Palhano 
inaugura Edifício Dom Hélder Câmara


A Desembargadora Dulcina de Holanda Palhano, Presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará presidiu, sexta-feira passada, às 19 horas, dia 27 de julho, a inauguração do Edifício Dom Hélder Câmara, Anexo do Fórum Autran Nunes, no Centro da cidade, onde funcionarão as 14 Varas da 1ª Instância da Justiça do Trabalho em Fortaleza. Na abertura do evento, foram hasteadas, ao som do Hino Nacional, executado pela Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Ceará, as Bandeiras do Brasil, do Ceará e do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, respectivamente, pelo deputado federal José Pimentel; pelo Desembargador Rômulo Moreira de Deus, Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, e pela Desembargadora Dulcina de Holanda Palhano, Presidente do TRT do CearáEm seguida, a Presidente Dulcina Palhano justificou a escolha do nome do novo prédio, afirmando “é uma homenagem a Dom Hélder Câmara, religioso nascido em Fortaleza, exemplo de ser humano dedicado aos pobres e à justiça, um líder internacional indicado ao Prêmio Nobel da Paz, nada mais justo que o edifício tenha seu nome”. E mais: “ele foi Arcebispo de Recife por mais de 20 anos, período em que lutou contra a ditadura militar, integrando a Igreja na luta em defesa da cidadania”, salientou. Posteriormente, ela disse, “agora a Justiça do Trabalho cearense fica mais forte, funcional e moderna. Desejo aos magistrados e servidores a seriedade e vontade de trabalhar que o povo precisa. Espero que essa obra represente além de uma bela construção, uma nova era da Justiça do Trabalho cearense”, finalizou.Após o descerramento da placa inaugural do novo Edifício, coube a Presidente do TRT do Ceará, Dulcina Palhano; ao Desembargador José Antônio Parente da Silva, Vice-Presidente deste Regional e Diretor do Fórum Autran Nunes, ao Ministro César Asfor Rocha, Corregedor Nacional da Justiça e ao Superintendente Estadual do Banco do Brasil, Marcos Luiz Galles, realizar o desenlace oficial da fita inaugural alusiva ao acontecimento. Vale destacar as presenças dos Desembargadores desta Corte trabalhista: Laís Maria Rossas Freire, Antonio Carlos Chaves Antero, Antonio Marques Cavalcante Filho e Cláudio Soares Pires.Dentre os inúmeros convidados presentes à solenidade, o Ministro Valmir Campelo, do TCU; Fátima do Carmo, da Secretaria Geral da Presidência da República; Martônio Mont´Alverne, Procurador Geral do Município; Cláudio Alcântara Meireles, Procurador-Chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará; Antônio Teófilo Filho, Presidente da Amatra; Harley Ximenes, Presidente da Atrace, Cristiano Câmara, sobrinho do homenageado pelo nome do edifício, além de juízes, advogados, diretores e servidores deste Regional.

Mabio Palhano - Estado Novo e Willie Davids no primeiro tempo da aviação

A Revolução Constitucionalista começa em 9 de julho de 1932 e Getúlio Vargas percebe quão limitada se encontra a aviação de seu “governo provisório”, que os paulistas pretendem derrubar. “Os aviões do Exército, que deviam voar, não têm bombas!”, anotou no diário (12 e 13). “O Paraná insiste pedindo aviões, os daqui são escassos” (24 e 25) e uma encomenda a fabricante estrangeiro seria demorada. “Falta cobertura no exterior.” Vargas imaginava, porém, uma indústria aeronáutica brasileira, delineando uma política de integração pelo uso do avião, que chegou a Londrina em 1938.

São mencionados mais de 300 campos de pouso construídos no interior do país até aquele ano, estímulo à fundação de aeroclubes, que ajudariam a desenvolver a indústria aeronáutica, além de “formar pilotos comerciais e privados que, efetivamente, pudessem ser chamados para a guerra”, lê-se na história do Aeroclube de São Paulo.

Instaurado em 10 de novembro de 1937, o Estado Novo baniu o federalismo, queimando as bandeiras estaduais em atos públicos. Destituídos os prefeitos eleitos, o de Londrina, Willie Davids, também diretor-técnico da Companhia de Terras Norte do Paraná, se mantém no cargo, pela vontade do interventor Manoel Ribas, conciliando interesses do Estado da colonizadora.

De maio e setembro de 1938, Willie constrói o aeroporto, com a dotação de 20 contos de réis do Departamento de Aeronáutica Civil (DAC), da qual a Prefeitura destinou 15 contos ao pagamento de 24 alqueires paulistas (580.800m²), comprados de Mábio Palhano, a cinco quilômetros ao sul da cidade. Informação no Paraná-Norte de 25 de maio de 1938, creditando ao doutor Octávio Augusto de Faria Souto, chefe da 9.ª Região do DAC, “a maior parte do grande empreendimento, que será uma esplêndida realidade dentro de dois meses”. Já “a rapidez e a perfeição” se deviam à direção técnica do próprio prefeito, “profissional que honra a engenharia brasileira”.

Três pistas “com orientações diversas, de modo a ficarem na feição do vento, venha este de onde vier”. O aeroporto tem “conformação e elevação em forma de meia-laranja, (...) ao centro está o ponto mais alto, sendo o declive muito suave, sistema que facilita extraordinariamente o levantamento de voo de qualquer aparelho”. As pistas têm de diferentes comprimentos – 1000 metros, 750 metros e 650 metros por 100 de largura –, “duas que se cruzam em forma de tesoura meioaberta e a principal, que cruza o ponto de contato das primeiras”.

Transferida de 7 de setembro para 18, a inauguração é novamente adiada, a pedido do interventor Manoel Ribas, a fim de permitir a presença do colega paulista, Adhemar de Barros. Nova data: 25 de setembro. “Segundo ainda estamos informados, a inauguração será com seis aviões do Exército, quatro particulares, um do Aerolloyd Iguassu e dois da Vasp”, adiantou o Paraná-Norte. Mas, por causa das condições climáticas desfavoráveis, nenhum avião chegou, ficando incompleta a grande festa com a presença de “alguns milhares de pessoas”.

O fotógrafo José Juliani registrou em 27 de novembro de 1938 “um dos primeiros aviões a pousar”.

O Aeroclube surge um ano e três meses após, supostamente retardado pelos incidentes na administração do prefeito Willie Davids (ver a biografia), eventualmente substituído pelo chefe da Contabilidade, Adriano Marino Gomes, comandou a iniciativa. O próprio Willie, porém, consolidaria juridicamente o Aeroclube.

O Paraná-Norte de 28 de janeiro de 1940 anunciou que seria criada naquele dia, às 10 horas no campo de aviação, “a futura escola de pilotos-aviadores”, por iniciativa dos senhores Adriano Marino Gomes (prefeito-substituto), tenente Luiz José dos Santos (delegado de polícia), André Loyer e Oswaldo Marra (pilotos), engenheiro Ernesto Rosenberger e J. M. Ramos. Dito e feito. E até a mascote foi escolhida: Freya Schultheiss, a primeira menina de Londrina, que havia chegado com dois anos de idade, em 1931.

Mas, segundo uma crônica de Humberto Puiggari Coutinho, diretor do jornal, os pioneiros não conseguiram “de pronto 140 contos de réis para a compra de um aeroplano”, a Diretoria desanimou e somente reagiria um ano depois. “O Aeroclube de Londrina não morreu de fato, teve apenas um desmaio”, diagnosticou Coutinho. “A diretoria vai entrar em ação e o clube será uma realidade.”

Devia-se o entusiasmo ao recémcriado Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, sendo ministro o civil Joaquim Salgado Filho, “pronto a cumprir e a fazer cumprir os regulamentos respectivos, dentro dos quais se encontrará o que é legal e necessário para a aquisição de um avião”. E Salgado Filho anunciaria a Campanha Nacional da Aviação, apoiada pelos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, estimulando os grandes empresários a doar aviões a aeroclubes.

“Concluídos os trabalhos para que este Clube adquirisse a necessária personalidade jurídica, torna-se preciso que se proceda, com a maior brevidade possível, a eleição da diretoria em caráter definitivo”, conclama o edital de 18 de agosto de 1941, assinado pelo presidente provisório, o ex-prefeito Willie Davids, marcando a eleição para 1.º de setembro às 20 horas, na Casa Sete.

O médico Anísio Figueiredo foi o presidente eleito pela assembléia e tomou posse em 21 de setembro de 1941, para mandato até 1943. O primeiro avião doado ao Aeroclube ao chegar caiu na Fazenda Quati e ficou imprestável, embora o piloto tenha saído ileso. A Escola de Pilotagem Elementar foi autorizada em 13 de maio de 1942, supostamente já com outro avião.

Um prefeito competente e orgulhoso da cidade

Widson Schwartz

Willie Brabazon da Fonseca Davids foi “o construtor e o admirável organizador de Londrina” nos primórdios, cidade que era “a sua preocupação constante, a sua paixão e o seu orgulho”, atestou o graduado serventuário da Justiça Antônio de Paula Filho em artigo no Paraná-Norte (24.8.41). Engenheiro formado na Inglaterra, antes de assumir a administração do Patrimônio Londrina, em maio de 1932, Willie acionara bondes elétricos e instalara redes de iluminação pública, trabalhando para a Companhia City de Santos, em que seu pai fora engenheiro-chefe.

Além da Vila Inglesa, em Capivari (SP), e outros créditos da profissão, Willie acumulava a experiência de haver sido, no período 1915-1925, prefeito de Jacarezinho e deputado estadual, membro da Comissão de Obras Públicas e Colonização no legislativo. Entre 1920 e 1927 integrou as expedições às glebas que os ingleses iam comprar no Norte Novo e orientou a incorporação da Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, depois Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná.

Primeiro prefeito constitucional de Londrina, eleito em 12 de setembro de 1935, ele se torna indispensável até quando se instala o Estado Novo, que o mantém no cargo, nomeando-o. Mas é afastado em novembro de 1938. Motivo: uma denúncia “naturalizando-o” inglês. Willie nascera em Campinas (29.11.1883), filho do galês Richard Gore Brabazon Davids e de Angelina da Fonseca, paulista de Itu. O pai, sim, era o inglês que se encontrava “há mais tempo no Brasil”, desde 1876; o engenheiro eletricista que havia feito a iluminação de estações ferroviárias e cidades paulistas. Credita-se a ele, numa biografia, a construção do primeiro telefone no Brasil, em Campinas, onde foi o anfitrião de D. Pedro II em visita à Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Um prefeito competente e orgulhoso da cidade

Na Mansion House, 1939: sir Frank Bowater, prefeito de Londres, recebe Willie Davids, prefeito de Londrina que o visitou em nome da cidade norte-paranaense (Times of Brazil)

Reconduzido à Prefeitura em 6 de dezembro, Willie licencia-se pelo menos duas vezes em 1939, para cuidar da saúde e ir a Londres, encontrar-se com o prefeito, sir Frank Bowater. Em 30 de maio de 1940, deixa o cargo definitivamente, em meio a um rumoroso inquérito sobre furto de dinheiro na Prefeitura por um funcionário. Willie fora exonerado, apesar da inexistência de indícios contra si.

Grande festa em 21 de março de 1942 marca a despedida do casal Carlota-Willie, que vai morar em São Paulo. “A saúde do Dr. Willie exige a mudança de domicílio.”

Morreu em 10 de junho de 1944, aos 61 anos incompletos, na Fazenda União, em Jacarezinho.

MS-156 - Pedro Palhano ou Luiza Brunet

No afã de homenagear a madrinha da Copa 2014 em Campo Grande, os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul tentaram nomear a rodovia MS-156 com o nome da modelo Luiza Brunet, que esteve na Capital para apoiar a candidatura da cidade como subsede para os jogos de 2014.

No entanto, o projeto que propunha a homenagem foi retirado de pauta e não será mais votado. Acontece que duas leis - uma federal de 1977 e outra estadual de 2006 proíbem a denominação de imóveis e bens públicos com nome de pessoas ainda vivas. O deputado Paulo Corrêa, proponente do projeto reconheceu o erro e retirou a proposta.

Mas além disso, o projeto, caso fosse levado adiante, ainda esbarraria em outro erro, também reconhecido pelo parlamentar: a rodovia já possui nome. A MS-156, entre Dourados e Itaporã leva o nome do produtor de café sul-matogrossense, Pedro Palhano, que atuou na região e até participou da construção da primeira estrada ligando os dois municípios.

Reclamações

O servidor público Manoel Capilé Palhano, 58, filho de Pedro Palhano, reclama que o nome da modelo Luiza Brunet seja cogitado para batizar uma rodovia que já tem nome. Ele lembra das benfeitorias executadas por seu pai para o desenvolvimento de Dourados - como o plantio de café, erva-mate e também a construção de uma escola em um terreno particular, nas margens da rodovia MS-156.

A denominação da "Rodovia Pedro Palhano" foi instituída através da lei estadual n° 1.598, de 25 de julho de 1995, assinada pelo então governador Wilson Barbosa Martins.