Manuel Capilé Palhano orgulha-se de comandar a Guarda Municipal

Manuel Capilé Palhano e Maria Januária Capilé, filhos de pioneiros. Capile e Palhano, duas famílias que aqui chegaram e ao lado de tantas outras famílias pioneiras, plantaram seus sonhos e filhos, construindo uma cidade, Dourados.
Manuel Capilé é filho de uma família de 14 irmãos, criado dentro de princípios de uma educação rígida. Seu pai, Pedro Palhano, cidadão austero, cobrava-lhe sempre a sinceridade e honestidade. ?O que era seu, era seu e o que era dos outros, era dos outros? dizia.
A mãe, Maria Januária Capilé (Tia Marquinha), modesta e meiga, primava pela boa educação dos seus filhos.
O jovem Capilé começou cedo a trabalhar, primeiro numa loja de confecções (l963/1964), depois como bancário. Foi funcionário da Prefeitura através de concurso no ano de 1973, passando por diversos setores. Atuou inclusive como chefe da área financeira.
Como bancário administrou três agências, prestando serviços em Bela Vista, Corumbá, Cáceres, Pedro Gomes, Ivinhema e ao retornar para Dourados encerrou sua carreira. Com vasta experiência, Capilé prestou concurso no estado, passando a trabalhar na Secretaria de Fazenda, no setor de compras, com abrangência na região sul.
Capilé também atuou como fiscal de renda no estado do Tocantins. De funcionário de uma loja de confecções até fiscal de renda somaram 26 anos de muita luta. Com 46 anos, ingressou na PRF, sendo aprovado pela academia, competindo de igual para igual com concorrentes mais jovens, sem ter nenhum privilégio.
Depois de trabalhar nas cidades de Joinvile e Santa Catarina, aposentou-se em Dourados. Ao todo foram mais de sete anos de serviços prestados a PRF. Ao invés do merecido descanso, Capilé resolver retomar os estudos, formando-se em Direito. Não demorou muito para receber mais um convite desafiador em sua vida, que é comandar a Guarda Municipal.
? Tive muitos cargos importantes na minha vida, cumprindo-os com muito orgulho. Mas esse cargo de comandante da Guarda Municipal é o mais importante da minha vida, por meio do qual sirvo a minha cidade -, disse.
Para saber mais sobre a vida de Capilé, acompanhe a entrevista:

A Tribuna - Qual é sua avaliação da cidade de Dourados?
Capilé - Dourados hoje é uma cidade boa de se viver, considerada uma das melhores do Mato Grosso Sul.Temos a questão da violência, mas o índice de criminalidade é muito menor que em outras cidades brasileiras.
Confesso-me um saudosista, pois tenho saudades de Dourados de 1968 a 1970, quando podíamos jogar na praça, no domingo à tarde; passear de mãos dadas com as nossas amadas. Esse tempo está bem guardado nas nossas lembranças.
Dourados era uma cidade tranqüila. Todo o mundo era amigo de todos. Sabia-se quem era quem.

A Tribuna - Você ainda conserva amizades desta época?
Capilé - A grande maioria está aqui Dourados, outros já deixaram este plano. Fico feliz em saber que grande parte dos meus amigos se deram bem na vida.

A Tribuna ? Você se sente realizado na profissão?
Capilé - Cumpri o meu papel de cidadão, procurando sempre realizar tudo o que me propus na vida. Consegui corresponder a altura a conduta que aprendi com os meus pais e meus avós.

A Tribuna ?Qual a melhor herança deixada pelo seu pai?
Capilé - Meu pai era um homem muito exigente, pessoa de bem, mas muito rigoroso com seus filhos. Sou o mais novo de 14 irmãos, todos tratados da mesma forma. Com ele, aprendemos a trabalhar muito cedo e seus ensinamentos aplico no meu dia-a-dia.

A Tribuna - O que você espera de Dourados?
Capilé - Espero tudo, pois esta é a minha cidade. Se todos quiser Dourados seja melhor no futuro, temos que trabalhar para isso.

A Tribuna - Para encerrar, fale de sua família?
Capilé ? Sou casado com dona Raimunda Taveira Palhano e tenho uma filha, Andresa Kely, que é bacharel em Direito, professora pós-graduada. Ela tem muito de mim e do avô. Não poderia deixar de lembrar também da minha mãe, do carinho dela, da dedicação que tinha para com todos os seus filhos. Ela era chamada, muito carinhosamente, de Tia Mariquinha, a qual nos ensinou a importância da religiosidade em nossas vidas.

Heber Gonçalves Palhano - Comunista??

“OS ARAUTOS DA DISSOLUÇÃO”:
Mito, imaginário político e afetividade anticomunista, Brasil 1941-1947
MARCOS GONÇALVES

Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do Grau de Mestre em História, Linha de Pesquisa Cultura e Poder, do Programa de Pós Graduação em História (PPGHIS), Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. Orientação: Professor Doutor Luiz Carlos Ribeiro. Curitiba

Arquivo em PDF

2000 - Lamartine Palhano Júnior - ES

Dedicado pesquisador da fenomenologia espírita, desencarnou em Vitória (ES), no dia 14 de novembro de 2000. Lamartine Palhano Júnior nasceu na cidade de Coronel Fabriciano-MG em 15 de dezembro de 1946. Criança ainda, seus genitores transferiram residência para Vitória.



Casou-se com Dona Rosane Lima Palhano e tiveram dois filhos: João Marcelo e Clarice. Graduou-se em Farmácia e realizou seu mestrado na área de bacteriologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutorando-se em ciências, desenvolvendo ainda intensa atividade acadêmica.


Lecionou microbiologia na Universidade do Estado do Espírito Santo e patologia na Universidade Federal do Espírito Santo. Contribuiu de forma marcante com o Movimento Espírita em várias áreas: pesquisas científicas no campo mediúnico, publicação de livros, realização de palestras e cursos diversos.


Fundou a FESPE (Fundação Espírita Santense de Pesquisa Espírita) e logo depois o CIPES (Círculo de Pesquisa Espírita de Vitória). Participou de alguns seminários do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB), no Rio de Janeiro e deu grande contribuição à Casa Espírita Cristã de Vila Velha (ES).


De sua extensa bibliografia constam: livros infantis, infanto-juvenis, de estudos bíblicos, biográficos (Mirabelli - um médium extraordinário, Dossiê Peixotinho e outros), dicionários (Léxico Kardequiano e Dicionário de filosofia espírita), científicos (Experimentação mediúnica e outros), romances.









Vilna Palhano - Akrópolis - Serafim Ponte Grande

Serafim Ponte Grande

(Oswald de Andrade)

“Serafim, Um Grande Não-Livro "

(Haroldo de Campos)

Vilna Peçanha Palhano

Resumo


Os romance Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, (“escrito de 1928 para trás” ou “Terminando em 1928”, como se lê no prefácio) questiona a tradição da obra literária e nos propõe um novo conceito de livros e leituras, funcionando como uma caixa de surpresa. É neste contexto que pretendemos fazer uma releitura de estrutura, onde o lúdico baila e embala a técnica cubista.

Texto Completo: PDF

Joir Palhano - Ser ou não ser... eis a questão

  
Até hoje não sei se seria uma apresentação burlesca, ou se ele pretendia mesmo levar o texto a sério no palco do Programa Flávio Cavalcanti
A verdade é que ensaiávamos exaustivamente o texto que com cuidado escrevi na Olivetti, tanto em português, como no original.

Não me lembro bem porque ele não levou o projeto até o fim... se por desânimo porque não decorava tanta palavra difícil, ou porque não passou no teste, ou porque não conseguiu a caveira que o coveiro do Maruí lhe havia prometido em troca de uma razoável propina!!!

Infelizmente devo confessar que como ator , ele era um ótimo representante....de remédios"" "


“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
(…)”

Joir Palhano Neves - Olá, sou seu pai


Os mais novos olham e nem se dão conta que ela nem sempre esteve lá. Os mais velhos acabam se esquecendo do que foi e significou a construção dessa magnífica obra de engenharia chamada Ponte Rio Niterói.

Fundamental para a integração dos dois lados da Baía da Guanabara e do norte do Estado do Rio de Janeiro, suas obras foram iniciadas em Janeiro de 1969 e inaugurada com pompa e circunstância em 4 de Março de 1974.





Trazia com ela também meu pai de volta a minha vida.

Era constrangedor observar aquele homem, até então um vulto esmaecido do passado, ali sentado na minha frente para jantar, era véspera da inauguração!

Foi com um misto de espanto e comédia que ia percebendo na medida em que furtivamente o observava, entre uma garfada e outra, como nossos gestos eram parecidos...

Como uma dupla em nado sincronizado, nossos movimentos nos talheres, e maneiras á mesa eram incrivelmente copiados, como se estivéssemos nos olhando num espelho e não um ao outro.

Surgiu daí o apelido de "cópia fiel".

No dia seguinte fomos os dois, num Karmanguia branco de capota preta, atravessar a ponte inaugurada.
Sabe o que eu mais me lembro da construção da ponte ?
Foi quando, na sua inauguração, o Médici agarrou o Andreazza pelo braço e gritou para os jornalistas:

" - Este aqui fui eu quem descobriu !!!"

Até hoje não sei se isso foi um elogio ou uma confissão.

Na época, com 12 anos, não entendia muito de política... Apenas o que estudava nas escola.

Mas já estava no final o governo Médici e a falência do "milagre econômico" era visível até para mim, juntamente com a crise internacional do petróleo.


Em crise também estava aquele homem, talvez o único Palhano que não deu certo...

Antes criado num mundo de regalias e facilidades propiciadas por Nair Palhano, a mãe coruja e porto seguro para suas inúmeras sandices. Era difícil ser responsável e coerente em adulto, se não houve a base que sustentaria tais atributos!

Lúdico, apaixonado pelo amor e não pelas mulheres, tornou-se um "bon vivant". Mas esqueceu-se que havia nascido em berço de ouro empenhado...

Agora, falido pela terceira ou quarta vez, financeira e emocionalmente. era um mero representante de remédios em consultórios médicos.

Recém chegado das Alagoas, morava com a mãe num apartamento em bairro nobre, porém com ares de mofo e móveis antigos. Foi lá que conheci meus irmãos mais novos e minha madastra.


Foi paixão a primeira vista o que senti por aquelas criaturinhas tão lindas e encantadoras... Minha irmã faria 2 aninhos 4 dias depois.

Mas isso já é outra história...

Aluisio Palhano - Desaparecido


Dados Pessoais
Nome: Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Cidade:
(onde nasceu)
Pirajuí
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
5/9/1922
Atividade: Advogado
UniversidadeUniversidade Federal Fluminense UFF
Dados da Militância
Organização:
(na qual militava)
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
João Alves Pedreira Ferreira
Prisão: 9/5/1971
São Paulo SP Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
24/4/1970
São Paulo SP Brasil
Segundo informações da família.
Clandestinidade
Desaparecido
21/5/1971
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo carta de Altino Dantas Jr., companheiro de prisão.
Clandestinidade
Dados da repressão
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Dirceu Gravina JC
Biografia
Biografia
Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).
Nasceu a 5 de setembro de 1922, em Pirajuí/SP, filho de João Alves Pedreira Ferreira e Henise Palhano Pedreira Ferreira. Desaparecido aos 49 anos de idade.
Trechos de um texto escrito por Branca Heloysa, sua cunhada:
"Em 1929, Aluísio e seu irmão Honésio, com 7 e 8 anos respectivamente, foram internados no Colégio Mackenzie, em São Paulo. Três meses depois, Aluísio apareceu sozinho em Pirajuí, a 350 km de São Paulo. Não havia se conformado com o regime do internato. Em 1932, com a morte de seu pai, a família mudou-se para Niterói. Mais uma vez foi internado, desta vez no Colégio Salesiano, em Santa Rosa/Niterói. Uma vez mais Aluísio se rebelou contra o internato.
Terminou o curso secundário no Colégio Plínio Leite e trabalhou como bilheteiro no Cine Royal, em Niterói.
Aos 21 anos ingressou no Banco do Brasil onde trabalhou até ser cassado pelo Ato Institucional n.1 (AI-1) em 1964. Formou-se advogado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Por duas vezes foi presidente do Sindicato dos Bancários. Em 1947, casou-se com Leda Pimenta e tiveram dois filhos, Márcia e Honésio.
Em 1963 foi eleito presidente da CONTEC (Confederação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Crédito) e vice-presidente da antiga CGT.
Com o golpe de 1964, Aluísio teve seus direitos políticos cassados e passou a ser literalmente caçado pelos órgãos de repressão. Em fins de maio de 1964 asilou-se na Embaixada do México, indo posteriormente para Cuba.
Em 1969, representou o Brasil na OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), em Havana, Cuba. Em 1970, regressou clandestino ao Brasil. Manteve contato com familiares por ocasião do casamento de sua filha. Em 24 de abril desse mesmo ano ainda fez contato com a família. Depois desse dia, o silêncio.
Em 1976 correram os primeiros boatos de sua morte, confirmados em 1978 através de carta de Altino Dantas Jr., seu companheiro de prisão, encaminhada ao Ministro do Superior Tribunal Militar, General Rodrigo Otavio Jordão Ramos, denunciando o assassinato de Aluísio Palhano nas dependências do DOI-CODI da Rua Tutóia, em São Paulo, na madrugada de 21 de maio de 1971. Segundo esse relato, Aluísio esteve prisioneiro durante 11 dias, sofrendo as piores torturas.
A Anistia Internacional confirmou esse depoimento.
"O preso político Nelson Rodrigues Filho também denunciou que esteve no DOI-CODI/RJ com Aluísio Palhano.
Apesar de todos estes testemunhos, os órgãos de segurança não reconheceram, até hoje, a prisão e a morte de Aluísio.
Foi preso no dia 9 de maio de 1971 e assassinado pelo torturador Dirceu Gravina no dia 21 de maio de 1971.
Inês Etienne Romeu, em seu Relatório, afirmou que Aluísio foi levado para a "Casa da Morte", em Petrópolis, em 13 de maio de 1971. Informou que quem o viu pessoalmente naquele aparelho clandestino da repressão foi Mariano Joaquim da Silva, também desaparecido desde aquela época, que presenciou sua chegada, narrando o seu estado físico deplorável. Inês ouviu a voz de Aluísio várias vezes, quando interrogado na "Casa da Morte".
Os relatórios dos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronaútica não fazem refrências à sua morte.
O nome de Aluisio Palhano foi encontrado, em 1991, no arquivo do DOPS/PR numa gaveta com a identificação "falecidos".
Em 21/05/86, em homenagem à Aluísio Palhano, foi inaugurada rua com seu nome no bairro Campo Grande, no Rio de Janeiro, pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro. Em 1994, Aluísio Palhano recebeu a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Adilson Pires. E, em 2000, recebeu a Medalha Chico Mendes de Resistência outorgada pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, por indicação do Sindicato dos Bancários.
Documentos
Artigo de jornal
Corpo de A. Palhano pode estar em Perus. Jornal do Vereador Altino Dantas, Santos, dez. 1990, p. 3. O vereador Altino Dantas, que esteve preso nas dependências do DOI-CODI juntamente com Aluísio Palhano durante a repressão militar, afirmou que o corpo de Palhano pode estar enterrado no Cemitério de Perus e está entrando em contato com os familiares e a Comissão envolvida para desvendar as identidades dos desaparecidos políticos. Afirma que, inaugurado durante a administração de Paulo Maluf, o Cemitério de Perus, em São Paulo, serviu aos interesses da repressão política.

Artigo de jornal
Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados.

Artigo de jornal
Ossadas do cemitério de Perus serão identificadas na Unicamp. Correio Popular, Campinas, 13 set. 1990, p. 13. Comunica que o líder do governo na Câmara Municipal de Santos, Altino Dantas (que é citado como Antino Dutra), do Partido dos Trabalhadores (PT), tem certeza de que o corpo de Aluísio encontra-se no Cemitério de Perus. Altino esteve preso com Aluísio e denunciou a morte do mesmo por tortura por meio de uma carta enviada ao Superior Tribunal Militar (STM). Diz que, enquanto estavam presos, fizeram uma promessa de que, quem sobrevivesse, denunciaria a morte do outro; por isso, Altino publica esta carta nos jornais todos os anos no aniversário da morte de Aluísio. O artigo trata também dos trâmites em torno das identificações das ossadas de Perus.

Artigo de jornal
Eloysa, Branca. Aluízio Palhano. (Fonte ilegível), Niterói, 14 set. 1987. Histórico de Aluísio por sua cunhada, Branca Eloysa, informando que era conhecido, desde a infância, como o protetor dos menores e mais fracos e por não tolerar injustiças. Cita a morte do irmão Honésio, oficial da Marinha Mercante, devido ao torpedeamento do navio Tutóia na época da guerra contra o fascismo, e cujo corpo nunca foi encontrado. Tornando-se sustentáculo da família, ingressa no Banco do Brasil, trabalha à tarde em uma loja pertencente ao tio e, à noite, cursa a Faculdade de Direito de Niterói. Foi, por duas vezes consecutivas, presidente do Sindicato dos Bancários. Em 1963, é eleito presidente da Confederação dos Trabalhadores de Estabelecimentos de Crédito (CONTEC) e vice-presidente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Luta, junto ao Presidente João Goulart, pela aprovação da lei que regulamenta a remessa de lucros para o exterior. Com o Golpe militar de 1964, é demitido do Banco do Brasil, seus direitos políticos são cassados e é literalmente caçado pelos órgãos de repressão. Apesar de ter sido morto em 1971, sob torturas, apenas em 1976 correm os primeiros boatos sobre sua morte, confirmados em 1978 pela carta de seu companheiro de prisão Altino Dantas.

Foto
Foto de rosto de Aluísio, com texto manuscrito assinado por Branca, sua cunhada, e destinado a Altino (Dantas). Informa que, quando Aluísio foi seqüestrado em uma rua de São Paulo, estava com a carteira de identidade de um irmão morto chamado João Alves Pedreira Ferreira. Seguem, em anexo, trechos de jornais sem fonte e data sobre Aluísio e seus dados pessoais, incluindo características físicas, assinado também por Branca Eloysa, Rio de Janeiro, 14/09/90.


Relatório
Documento do Serviço Secreto do DOPS/SP de 27/01/67. Informa que: Aluísio fez parte do Encontro Latino-Americano de Solidariedade a Cuba. Segundo relatório de 04/07/60; é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito do Rio de Janeiro (CONTEC), cujas publicações entre 12/63 e 01/64, apontam a atuação comunista deste órgão; é vice-presidente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), que publicou seu relatório sobre a Conferência Plenária do Comitê Sindical de Consulta e de Unidade de Ação Antimonopolista, efetuado em 27 e 28/11/63; seu nome saiu na imprensa em 08/10/64 na lista de nomes de atingidos pelo Ato Institucional; consta em relatório da Guanabara de 29/04/65 sobre ordem de prisão e em uma lista do DOPS/RJ, em 05/65. Inclui códigos das pastas de que foram retiradas as informações, a cada parágrafo.



Relatório
Relatório de Aluísio Palhano, do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), Rio de Janeiro, de 06/12/63, sobre a Conferência Plenária do Comitê Sindical Mundial de Consulta e de Unidade de Ação Anti-Monopolista, realizada em 27 e 28/12/63, em Leipzig, República Democrática Alemã (RDA). Relata que teve dificuldade na obtenção do visto tendo chegado apenas na conclusão do evento. Cita que, "da análise da ofensiva dos monopólios e da poderosa contraofensiva dos trabalhadores, foi confirmada a necessidade de uma ação mais eficaz das organizações sindicais e da constituição do Comitê Sindical Mundial, (...) amplo, unitário e representativo, que se reunirá uma vez por ano, em Leipzig, para trocar experiências, consultar-se e traçar uma linha unitária de luta antimonopolista". Segue, em anexo, informe de Aluísio sobre o Brasil preparado para esta reunião. O documento possui o carimbo do DOPS.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, sem data. Apresenta informações sobre Aluísio desde o início de 1959, onde consta em relatório apontando que comunistas estão atuando como diretores de sindicatos, federações e confederações de bancários. Em outro relatório citado, de 20/02/67, Aluísio esteve asilado na Embaixada do México, durante o desenrolar da Revolução de 31 de Março de 1964; além disso, o Comando Supremo da Revolução, pelo Ato Institucional de 09/04/64, suspendeu, por 10 anos, seus direitos políticos. Apresenta também suas ações políticas como participação em eventos internacionais sobre questões sindicais e suas aparições na imprensa. Cita que o nome de Palhano figura na relação de brasileiros que se encontram no exterior, em 22/09/78; no entanto, os dados conhecidos de sua morte são de 1971, no DOI-CODI/SP. Acompanha cópia com carimbo do DOPS e códigos das pastas das quais foram retiradas as informações.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Folheto
Carta a um General, por Altino Dantas, "in memoriam" de Aluísio Palhano, de 09/85. Apresenta breve histórico de Altino Dantas, ex-preso político, então vereador em Santos pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e sua carta enquanto esteve preso no Presídio do Barro Branco, em São Paulo, SP, ao General Rodrigo Otávio Jordão Ramos, Ministro do Superior Tribunal Militar (STM), de 01/08/78. Nesta carta, conta as circunstâncias em que foi preso, a tortura a que foi submetido e seu encontro com Aluísio, afirmando sobre sua morte após torturas.

Ficha pessoal
Documento no DOPS/SP, apontando que Aluísio é advogado e bancário. Em 23/05/75, foi anotado que seus direitos políticos foram suspensos por dez anos de acordo com os Atos Institucionais n. 1, de 09/04/64, n. 2, de 27/10/65 e n. 5, de 13/12/68.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social do Paraná de 03/02/71, informando sobre a suspensão dos direitos políticos de Aluísio em 1964 e sobre sua participação em curso de guerrilha em Cuba.

Evento/ Homenagem
Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.



Certidão
Certidão da Divisão de Segurança e Informações, da Polícia Civil do Paraná, para a Comissão Especial de Investigação das Ossadas encontradas no Cemitério de Perus, de 24/07/91. Certifica que as fichas das pessoas a seguir foram encontradas no arquivo do DOPS, em gaveta com a identificação "Falecidos": Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Hiran de Lima Ferreira, Edgard de Aquino Duarte, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho, Helenira Resende de Sousa Nazareth, Miguel Pereira dos Santos, José Huberto Bronca, Isis Dias de Oliveira, Antônio dos Três Reis Oliveira, Ayrton Adalberto Mortati, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Luiz Almeida, Ruy Carlos Vieira Berbert, Joaquim Pires Cerveira, Virgílio Gomes da Silva e Elson da Costa.

Para entender o que foi a Ditadura

1954 - Heber Gonçalves Palhano -São João do Caiuá - PR

1952 - Kepler Gonçalves Palhano - Nova Esperança - PR


A instalação oficial do município aconteceu no dia 14 de dezembro de 1952, com a posse do primeiro prefeito eleito, dr. José Teixeira da Silveira.


A instalação oficial ocorreu no dia 14 de dezembro de 1952, com a posse do primeiro prefeito eleito, o médico José Teixeira da Silveira, falecido recentemente, e dos primeiros vereadores, Dr. Kepler Gonçalves Palhano, José Felipe Elias, Hélio de Moraes Barbosa, Adelício Fagundes Dias, João Vieira, Afonso Sgssard, Alídio Roboledo, Daniel Lopes Marques e Eduardo Sequi. 

Foram prefeitos de Nova Esperança:
  • Dr. José Teixeira da Silveira............1952/1954
  • Dr. Kleper Gonçalves Palhano..........1954/1956
  • Pedro Zanusso..............................1956/1960
  • Armando de Lima Uchôa.................1960/1964

 

1947 - Edson Gonçalves Palhano - Nova Santa Barbara I - PR

A partir de 1940, a gleba conhecida como Água do Sabiá começa a sofrer desmatamentos para abertura da Estrada Estadual do Cerne. Era constituída de aproximadamente 16 mil alqueires e a maior parte havia sido adquirida pela família Couto de Camargo. Emídio Couto de Camargo recebeu parte das terras como herança deixada por seu pai. O local era excelente para descanso de safristas de porcos e surgiram os primeiros estabelecimentos de apoio aos tropeiros.
 
Em 1947, Emídio Couto de Camargo trouxe de Jataizinho o topógrafo Edson Gonçalves Palhano para demarcar o loteamento e providenciar o arruamento da localidade. Neste mesmo ano foi erguido um Cruzeiro em Água do Sabiá, sendo celebrada a primeira missa da localidade.
Em 1948, com o término da abertura da Estrada do Cerne, Água do Sabiá já possuía características de cidade e, em 22 de novembro desse ano, foram feitos os registros oficiais do loteamento, passando a localidade a denominar-se Santa Bárbara, nome dado por Emídio de Camargo por sua devoção á Santa.
 

1941 - Kepler Gonçalves Palhano - Diário Oficial

Diário Oficial da União - Seção 1 - 20/08/1941 , Página 16424 (Publicação) 

Decreto nº 7.652, de 18 de Agosto de 1941

Aprova novas tabelas numéricas para o pessoal extranumerário-mensalista da Diretoria do Domínio da União.
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 74, letra a, da Constituição,
Decreta:


     Art. 1º As tabelas numéricas do pessoal extranumerário mensalista da Diretoria do Domínio da União do Ministério da Fazenda, aprovadas pelo decreto nº 7.079, de 10 de abril último, ficam substituidas pelas que se encontram anexas a este decreto.


     Art. 2º A despesa na importância de 1.269:600$0 (mil duzentos e sessenta e nove contos e seiscentos mil réis) será atendida pela Verba 1 - Pessoal - Consignação II - Pessoal Extranumerário, sendo 1.258:800$0 (mil duzentos e cinquenta e oito contos e oitocentos mil réis) à conta da Subconsignação 05 - Mensalista e réis 10:800$0 (dez contos e oitocentos mil réis) à conta da Subconsignação 08 - Novas admissões, etc., do vigente orçamento daquele Ministério.


     Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1941, 120º da Independência e 53º da República.
GETULIO VARGAS
A. de Souza Costa


MINISTÉRIO DA FAZENDA

    REPARTIÇÃO - DIRETORIA DO DOMÍNIO DA UNIÃO

    TABELA NUMÉRICA
    
Núm. Função Ref. de
Salário
Salário
Mensal
Despesa
Anual
1
1
4
3
2
3
3
3
2
1
24
20
11
8
6
2
1
1
1
1
1
Artífice................................... Artífice....................................
Desenhista ............................
Desenhista ............................
Desenhista ............................
Engenheiro.............................
Engenheiro.............................
Engenheiro..............................
Engenheiro..............................
Engenheiro..............................
Auxiliar de Escritório...............
Auxiliar de Escritório...............
Auxiliar de Escritório...............
Auxiliar de Escritório...............
Auxiliar de Escritório...............
Praticante de Escritório..........
Guarda....................................
Guarda....................................
Assistente Jurídico..................
Assistente Jurídico..................
Assistente Jurídico..................
VII
IX
VII
IX
XI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
VII
VIII
IX
X
XI
VI
VI
VII
XVII
XVIII
XIX
400$0
500$0
400$0
500$0
600$0
1:100$0
1:200$0
1:300$0
1:400$0
1:500$0
400$0
450$0
500$0
550$0
600$0
350$0
350$0
400$0
1:100$0
1:200$0
1:300$0
4:800$0
6:000$0
19:200$0
18:000$0
14:400$0
39:600$0
43:200$0
46:800$0
33:600$0
18:000$0
113:200$0
108:000$0
66:000$0
52:800$0
43:200$0
8:400$0
4:200$0
4:800$0
13:200$0
14:400$0
 15:600$0
2 Motorista................................. VII 400$0 9:600$0
1 Motorista................................. IX 500$0 6:000$0
2 Servente.................................. V 300$0 7:200$0
6 Servente.................................. VI 350$0 25:200$0
2 Servente.................................. VII 400$0 9:600$0
8 Topógrafo................................ XIII 700$0 67:200$0
76 Trabalhador............................. IV 250$0 228:000$0
23 Trabalhador............................. V 300$0 82:800$0
 9 Trabalhador............................. VI 350$0  37:800$0
 228 1.162:800$0

    TABELA NUMÉRICA SUPLEMENTAR


Núm. Função Ref. de
salário
Salário
Mensal
Despesa
Anual
3 Desenhista............................ XIII 700$0 25:200$0
2 Escriturário........................... XII 650$0 15:600$0
2 Escriturário........................... XIII 700$0 16:800$0
2 Escriturário........................... XV 900$0 21:600$0
1 Guarda.................................. VIII 450$0 5:400$0
1 Guarda.................................. IX 500$0 6:000$0
 3 Servente...............................  VIII  450$0  16:200$0
 14  106:800$0
    Relação dos extranumerários mensalistas correspondente à tabela numérica aprovada pelo decreto nº 7.652, de 18 de agosto de 1941:

    DIRETORIA DO DOMÍNIO DA UNIÃO

    TABELA ORDINÁRIA


8 - Topógrafo XIII - 700$0
    1. Antônio Gonçalves Ferreira.
    2. Vago.
    3. Djalma Dutra Ururahy.
    4. Kepler Gonçalves Palhano.
    5. Marcílio Nolding da Mota.
    6. Maurití Cordovil da Cunha.
    7. Nelson Barbosa dos Santos.
    8. Roberto Marfim Botelho.


1941 - Lamartine Palhano - Fortaleza - CE

Diário Oficial do Estado do Ceará onde em 06 de agosto se 1941, Lamartine é convocado para a Junta do Alistamento Militar - Folha 08 - Item 255.

1929 - Joaquim Gonçalves Palhano - Cia. de Terras - PR

LONDRINA 80 ANOS - PELA PICADA DE JOAQUIM PALHANO ATÉ O MARCO DO PATRIMÔNIO TRÊS BOCAS.

Os “burros, tão velhacos, derrubavam a carga de tempos em tempos” e o suor humano atraía a variedade de insetos. Relatos de George Craig Smith e de Erwin Frölich divergem, mas a data oficializada é 21 de agosto de 1929.

Em 1878, já frustrado em seu projeto de construir uma Estrada de Ferro que chegasse ao Norte do Paraná, por estar falido, o Visconde de Mauá foi reverenciado em Londres, na edição do livro Pioneering in the South Brazil (“Pioneirismo no Sul do Brasil”, Editora John Murray), em que o engenheiro Thomas Bigg-Wither relata a própria vivência de três anos (1872-1875) na floresta e pradaria da Província do Paraná, tema de sua conferência na Real Sociedade de Geografia dois anos antes. O livro é “dedicado a Sua Excelência o Visconde de Mauá, a quem o autor é especialmente devedor pelas oportunidades (…) de viajar e fazer observações em região pouco conhecida”, onde esquadrinhou os vales dos rio Ivaí e Tibagi, tarefa inerente ao projeto ferroviário.

Intitula-se Novo Caminho no Brasil Meridional: a Província do Paraná (Imprensa Oficial do Estado, 1972) a edição brasileira, e o tradutor, Temístocles Linhares, presume que, apesar de mencionar o insucesso de colonos ingleses ao sul do Paraná, o original tenha despertado investidores londrinos para “novos e mais amadurecidos empreendimentos no futuro”. Por exemplo, a colonização de Londrina, “a cuja frente se encontrava esse Lord Lovat, acerca de cujas curiosidades no plano intelectual tão pouco se sabe, mas que deveria ter sido, nos tempos de moço, pelo menos, leitor apaixonado de Bigg- Wither”.


Quando o livro circulou, Simon Joseph Fraser (1871-1933), o futuro 14° Lord Lovat (geralmente nominado 16°), tinha sete anos de idade; o interesse efetivo de investidores britânicos pelo norte paranaense daria sinais em 1919. Nesse ano houve uma exploração entre o Rio das Cinzas e o Laranjinha, relatou Benedito Rodrigues dos Santos (Folha de Londrina 4/2/1982). Tal localização não serviu por causa da vegetação de cerrado a leste, indicando terras menos férteis, e da limitada distribuição de cursos d’água. Nova entrada se dá no último trimestre de 1922, mais a oeste; atravessa o Tibagi e atinge o centro da futura Londrina, onde está o bosque. Santos recordou que trabalhava para ingleses em Chavantes (SP), produzindo alfafa, e participou das duas expedições, acompanhando o general George Rosch (chefe), J. W. Guindo, W. Thompson, os irmãos Rolando e Willie Davids, o engenheiro João de Mello Peixoto e auxiliares.


Daí a origem de Londrina com a Companhia de Terras Norte do Paraná (1925), a compra das glebas e da estrada de ferro (1925-1928) e a fundação do Patrimônio Três Bocas, em 1929. 


-“Pela picada aberta por Joaquim Palhano é que nossa turma, D. Pereira e eu, alargamos em 1928”, rememorou o agrimensor Ludovic Surjus comentando um de seus nostálgicos passeios (1979). “Cedo fui de ônibus até a Anderson Clayton; depois, a pé, contornei o bosque onde se iniciou Londrina, em agosto de 1929.” (*)
 
O lugar está certificado e a data, oficializada pelo Museu Histórico, sempre fora reafirmada por George Craig Smith (1909-1992), até para que não fosse confundida com a da instalação do município: “Londrina, na verdade, nasceu naquela tardezinha de 21 de agosto de 1929, quando o Dr. Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco ao chegar às terras da Companhia”. Mas Erwin Fröhlich, outra testemunha do fato, anotou o dia 22, mencionando a interrupção da marcha no dia anterior: “Como íamos contando, no dia 21 de agosto pousamos no quilômetro 16, na picada Jataí-Sertão, onde havia uma pequena derrubada de mata. No dia 22 erguemo-nos bem cedo e pusemo-nos a caminho”.

Jornada concluída antes do meio-dia, apesar dos “burros, tão velhacos, que derrubavam a carga de tempos em tempos” e da variedade de insetos atraídos pelo suor humano. “Finalmente, às dez horas da manhã, atingimos uma nascente de água, Flor D’água como era conhecida dos caboclos (hoje Córrego das Pedras), onde começava a vasta área de terra a ser colonizada.”

Alberto Loureiro, Alexandre Razgulaeff, Erwin Fröhlich, Geraldo Pereira Maia, George Craig Smith, Joaquim Benedito Barbosa, Spartaco Bambi (também agrimensor) e outros não nominados na história fundaram o patrimônio, conforme o depoimento de Frölich escrito em 1949 para a revista A Pioneira (n° 5, outubro-novembro). O português Alberto Loureiro morava em Cambará, onde fora convidado pessoalmente por Arthur Thomas para derrubar a mata, no que era especializado. Empreiteiro também da estrada de rodagem, “era considerado (...) verdadeiro marimbondo de braveza e com ele não havia meias-medidas, era tudo na hora certa e nada de falas”, segundo Fröhlich. Desde 1921 no Brasil, o russo Alexandre Razgulaeff aclimatara-se e “compreendia tão-bem o nosso caboclo que parecia um autêntico brasileiro”.

Sucedendo os ranchos dos precursores, o Hotel Campestre e o depósito de materiais da colonizadora foram as primeiras edificações efetivas no marco inicial, de onde a clareira foi expandida para 10 alqueires, abrangendo as áreas mais tarde ocupadas pela Serraria Curotto, Anderson Clayton e a Viação Garcia. “Em 30 de janeiro de 1930 foram inauguradas a balsa sobre o rio Tibagi e a estrada de automóveis até o Hotel Campestre”, anotou Fröhlich. “Uma satisfação enorme, para todos, esse marco avançado da civilização.”

Se ainda existisse, o hotel estaria na rua Santa Terezinha Cambuí e a Damasco, meia quadra abaixo de onde se localizou a entrada de caminhões no pátio da Anderson Clayton. Aos 80 anos do marco inicial, começa o debate entre os que aceitam a construção do Teatro Municipal naquela paragem e os que discordam.

Urbanização exuberante, mas “eldorado” não foi para todos.
 
Widson Schwartz

Garantia absoluta aos compradores foi o emblema da Companhia de Terras Norte do Paraná: mais de 13.000 lotes ainda não tinham escrituras definitivas em 1979, informou Alfredo Nyffeler, então diretor-gerente da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sucessora da Companhia de Terras). Os proprietários mantinham apenas contratos averbados em cartório, “tal a confiança na seriedade da companhia”. Representavam 10% dos imóveis vendidos desde o início da colonização, da qual resultou “110 unidades urbanas [cidades e sedes de distritos] e mais de 130 mil sítios e fazendas”, conforme a exposição de Nyffeler a O Estado de S. Paulo (4/8/1998).

Contudo, há quem ponha em dúvida se, lá na origem, 80 anos atrás, o propósito seria mesmo gerar o resultado presente, e manifeste o entendimento de que se possa contestá-lo, porque nem todos que aderiram à colonização foram bem-sucedidos. Portanto, não tiveram o seu “eldorado” ou “terra da promissão”.


Para José Joffily, seria “normal admitir” que Lord Lovat veio ao Brasil a serviço dos banqueiros N. M. Rothschild & Sons “e igualmente lícito supor que as terras que ele comprou no Paraná deveriam lastrear supletivamente nossos débitos com os capitalistas britânicos”. Vinculando matanças de índios a devastações florestais em outros continentes e regiões brasileiras, Joffily diz que na prática “foi a filosofia seguida [pelos ingleses] na Rodésia, na Austrália e no norte do Paraná”.
Mas os Irmãos Palhano, agrimensores a serviço do governo já na década de 1920, não encontraram índios dispersos nas áreas que seriam colonizadas, conforme depoimento de Kepler Palhano ao Museu Histórico. E a reserva indígena de Tamarana fora estabelecida em 1900. Historicamente, os conflitos ocorreram na margem direita do Tibagi, o mais localizado envolvendo a reserva dos caingangues em São Jerônimo, demarcada em 1854.

Os conflitos ali motivaram o deputado Arthur Martins Franco a defender no Congresso, na década de 1920, a extinção da reserva em benefício da população não-indígena. Em 1928, porém, a Justiça Federal expediu ordem de despejo da Prefeitura e de todos os moradores da cidade, situada em área dos índios. A ordem não chegou a ser cumprida e arrastando-se o litígio, em 1943 o prefeito José Schelleder sugeriu ao interventor no Estado a mudança da cidade, para fora da terra indígena. Desde a demarcação da reserva até o entendimento final, em 1980, o conflito durou 130 anos.


A proposta de deslocar 20 mil curdos (assírios) do Iraque para o Norte do Paraná indicaria outro propósito e não a colonização que se consumou. Destoa da observação do historiador norte-americano Jeffrey Lesser (citado em artigo de Léo de Almeida Neves), de que a Paraná Plantations se dispôs a ceder um lugar a 66 quilômetros de Londrina, portanto restrito, tendo a Liga das Nações oficializado o pedido ao Brasil, por se tratar de ação humanitária. A Inglaterra concedera a independência ao Iraque em 1932 e temia que os assírios católicos fossem atacados pelo governo muçulmano, o que prejudicaria os interesses econômicos britânicos na região, incluindo o petróleo.


Quando parecia certa a transferência dos assírios, em janeiro de 1934, houve protestos em Curitiba e Rio de Janeiro e o presidente Getúlio Vargas cancelou a autorização.




 

1922 a 1925 - Kepler Gonçalves Palhano - Colégio Salesianos de Santa Rosa - Niterói - RJ


1920 - Héber Gonçalves Palhano - Pirapora do Bom Jesus – SP



SEMINÁRIO MENOR METROPOLITANO

 PIRAPORA DO BOM JESUS – SÃO PAULO

Os seminaristas eram divididos em turmas (menores, grandes e maiores) que levavam em conta três variáveis: tamanho, idade e ano escolar. Possuíam recreios distintos e, por norma disciplinar, não podiam misturar-se nem contatar-se entre si. Era proibida a comunicação. Cada pátio tinha um patrono:  

o        pátio dos menores: São Luiz Gonzaga   

o        pátio dos grandes: São João Batista   

o        pátio dos maiores: São João Vianney



Héber Gonçalves Palhano
São Luiz-MA
Matriculado em 1920